Jovem autista denuncia indeferimento de matrícula depois de aprovada na UFES e recorre à Justiça | Aulas já começaram

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denuncia indeferimento de matrícula

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Jovem autista denuncia indeferimento de matrícula e aguarda para frequentar aulas, que já começaram

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ESPECIAL TODAS AS MULHERES DO MUNDO |
RONALDO CHAGAS VIEIRA

A estudante Islany Fernandes Campos, 21 anos, denuncia ter sido impedida de ingressar no curso de Ciência da Computação da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), mesmo após aprovação pelo Sistema de Seleção Unificada (SISU) por meio de cotas destinadas a pessoas com deficiência e baixa renda.

Diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1, Islany realizou o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e obteve pontuação suficiente para concorrer à vaga.

Islany é filha de Fernanda Souza Fernandes Campos e Uelder Nunes Campos,

A estudante foi convocada na primeira chamada regular da UFES, iniciando o processo de matrícula.

O primeiro obstáculo surgiu quando a universidade exigiu laudo médico com Registro de Qualificação de Especialista (RQE).

A médica que acompanhava Islany, embora atuasse como psiquiatra, não possuía o registro exigido.

Diante disso, a jovem e sua família buscaram novo atendimento, reuniram exames anteriores, relatórios escolares, prontuários médicos e laudos atualizados.

Mesmo com a documentação ampliada, a matrícula foi indeferida sob alegação de lastro documental insuficiente ou pouco relevante.

Na tentativa de reverter a decisão, a estudante solicitou uma perícia médica presencial, levando novos prontuários e documentos complementares.

Segundo relato da família, o procedimento foi marcado, mas a condução da avaliação levanta questionamentos.

De acordo com a denúncia, os peritos chegaram com cerca de 30 minutos de atraso e decidiram inicialmente entrevistar apenas a mãe da estudante, enquanto Islany aguardava fora da sala.

Ainda segundo o relato, as perguntas realizadas teriam sido superficiais, focadas apenas em relacionamentos sociais, sem análise aprofundada das dificuldades cognitivas e funcionais da estudante.

A mãe tentou relatar as dificuldades enfrentadas pela filha ao longo da vida, mas afirma ter sido interrompida de forma incisiva, sendo orientada a responder apenas ao que fosse perguntado, sem espaço para esclarecimentos adicionais.

Durante a perícia, também foram apresentados receituários médicos e comprovação do tratamento atual, incluindo uso de antidepressivos, que, segundo a família, não teriam sido considerados pelos avaliadores.

Quando Islany foi chamada para a entrevista, utilizava abafadores de som devido à sensibilidade auditiva, característica comum em pessoas com Transtorno do Espectro Autista.

Segundo a estudante, foi solicitado que retirasse o equipamento para “conversar melhor”, mesmo diante do desconforto provocado pelo ambiente, onde havia ruídos e conversas em alto volume no corredor.

A estudante relata que a entrevista foi breve e restrita a perguntas sobre relacionamentos e hobbies, sem aprofundamento sobre histórico escolar, desenvolvimento infantil ou dificuldades funcionais — elementos fundamentais para avaliação dentro do espectro autista.

O resultado da perícia foi divulgado no mesmo dia, com a conclusão de que não foram observadas alterações objetivas compatíveis com o diagnóstico de autismo, inclusive em relação à infância.

Diante da decisão, Islany recorreu imediatamente à Defensoria Pública da União (DPU) no dia 19 de fevereiro.

O processo foi formalizado em 26 de fevereiro, sob o número PAJ 2026/017-00674.

Desde então, segundo a família, houve poucas movimentações, com registros genéricos como “decurso de prazo”, sem detalhamento das providências adotadas.

Enquanto isso, as aulas na UFES já começaram e a estudante permanece sem previsão para ingresso no curso, vendo seu sonho acadêmico ameaçado.

A situação ganha contornos ainda mais preocupantes diante de informações divulgadas recentemente pelo portal Tribuna Online, indicando que mais de duas mil vagas ficaram ociosas na UFES, ao mesmo tempo em que uma estudante aprovada por cotas legais segue impedida de estudar.

Para a família, o caso representa não apenas um entrave burocrático, mas uma possível violação de direitos.

O autismo é reconhecido pela Lei nº 12.764/2012 como deficiência para todos os efeitos legais, garantindo acesso às políticas públicas de inclusão, inclusive na educação superior.

Segundo a estudante, o sentimento é de injustiça e frustração.

“Não estou pedindo privilégio. Estou pedindo o direito de estudar. Fui aprovada, apresentei laudos, passei por perícia, e mesmo assim tive meu direito negado por uma avaliação rápida, subjetiva e que desconsiderou toda a minha trajetória”, relata.

O caso levanta questionamentos sobre os critérios utilizados nas avaliações, a condução das perícias médicas e as dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência no acesso à educação superior pública.

Enquanto aguarda a decisão judicial, Islany segue sem frequentar as aulas e com o futuro acadêmico indefinido.

Nota da Redação: Don Oleari Portal de Notícias está à disposição para esclarecimentos por fontes citadas na reportagem.

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Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
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Respostas de 3

  1. é vergonhoso, e uma falta de respeito com a estudante e com a família, uma jovem que se esforçar pra estudar e simplesmente estão tirando o direito desta jovem, de ter um futuro melhor, este tipo de perito nem deveria está prestando este tipo de avaliação, pois são pessoas despreparados e incapaz de avaliar uma situação deste nível, espero que a justiça tome providências,e de o direito desta jovem ir pra faculdade, pra se formar, pois o fato desta jovem conseguir ser a provada mesmo com dificuldade, que as autoridades tome as devidas providências urgente.

  2. eu sei o quanto ela se esforça pra estudar e acompanhar as matérias o quanto ela se esforçou por essa vaga que deferiu injustamente.