Estatização ou liberalismo
Estatização ou liberalismo, dois sistemas, dois extremos…
Revisada e atualizada em 23 de fevereiro de 2026
ARTIGO |

EDILSON LUCAS DO AMARAL
O ano se anuncia como aqueles momentos em que o país suspende a respiração para assistir a uma Copa do Mundo ou a uma eleição presidencial.
Camisas vestidas, bandeiras erguidas, ruas ocupadas.
A multidão vibra, sofre e se divide, como se o destino nacional pudesse ser decidido no apito final ou na contagem dos votos.
Os bordões se repetem. De um lado, “fora comunismo”. Do outro, “fora capitalismo selvagem”.
Dois extremos que se enfrentam no discurso, mas convivem no mesmo sistema. O Brasil não é liberal em essência, tampouco socialista.

O resultado é um país que cresce aquém de seu potencial.
Ainda assim, a população se comporta como torcida organizada, mais interessada em saber quem vence do que em compreender o jogo.
A vitória eleitoral, por si só, raramente produz transformação estrutural.
A realidade é desconfortável. Nosso sistema não é liberal nem estatista.
É um híbrido desordenado, em que o Estado assume os custos e o setor privado, com frequência, apropria-se dos ganhos.
O caminho mais eficiente sempre foi o equilíbrio: um Estado forte para planejar, regular e investir, e um mercado livre para inovar e produzir.
A China ilustra esse modelo de forma controversa. Economia capitalista sob regime político fechado, com controle estatal do sistema financeiro.
A poupança da população permanece sob tutela do Estado e financia infraestrutura, ciência e tecnologia. Os juros são baixos, o custo do dinheiro é controlado.
No Brasil, ocorre o inverso. Arrecadamos menos de quatro trilhões de reais por ano e pagamos juros elevadíssimos sobre a dívida pública.
Captamos recursos a taxas altas e transferimos parte significativa dessa riqueza ao sistema financeiro privado por meio de títulos generosamente remunerados.
Enquanto a China financia seu desenvolvimento com a própria poupança, o Brasil terceiriza o coração financeiro da nação e aceita pagar caro por isso.
A pergunta se impõe. Quem está certo?
O torcedor que apenas sonha em passar de fase ou aquele que entra em campo esperando o título?
O liberalismo que concentra riqueza ou a estatização responsável, capaz de financiar o desenvolvimento a partir da própria sociedade?
Talvez a resposta esteja fora dos extremos. O Brasil precisa marcar um gol de estratégia, não de acaso.
Redefinir o papel do Estado, reorganizar prioridades e ter coragem de mudar regras que nos mantêm no meio da tabela.
Só assim deixaremos de assistir ao jogo para, enfim, disputar a final.
Estatização ou liberalismo
Kleber Frizzera | Alisamentos e adestramentos
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