Foice o tempo
SOCIEDADE DOS POETAS E CONTISTAS VIVOS
PAULO SOARES NAZARETH
Foice do tempo
Ao ver o pêndulo do relógio
No seu balançar continuado
Imagino ser a foice do tempo
Querendo aparar o pecado.
Sinto o peso do dia vencido
Vejo a fênix no seu voo alado
No relógio, meu tempo vivido
Ceifando horas para o passado.
Quisera a vida sem pancadas
Dias vencidos, noites dormidas
Sem preocupar com foiçadas
Esquecida das horas passadas.
Já não vejo o dia na folhinha
Para relógio nem quero olhar
Quero bem leve a minha vida
Sem qualquer peso para levar.
Ah! O belo carrilhão de Deus
Guarda a vida dos filhos seus
Seu pêndulo contando sempre
Marcando só o tempo presente.
VENTO
Que atiça o fogo
Sopra e apaga a vela
Levanta o filó da saia
Empurra o barco
Balança as paias
Árvores que entorta
Ventila o pensamento
Embeleza o céu
Espalha as nuvens
Limpa o firmamento
Varre as campinas
Refresca a alma
Assobia nos telhados
Abre janelas
Bate portas
Derruba rebocos
Sopra a fumaça
Traz a chuva
Muda o humor do mar
Enfurece suas ondas
Limpa suas praias
Querendo ventar
Modela rochedos
Decora falésias
Carrega folhas caídas
Muda os cheiros
Semeia o campo
Move moinhos
Fabrica alimentos
Movimenta as matas
Marolas nos rios
Ondinhas nos lagos
Desarruma cabelos
Penteia a floresta
Gerador de energia
Onde o mundo roda
Dono da liberdade
Que o torna vivo
Sem maldade
Desafia o tempo
Mãos não o seguram
Prisões não o detém
Um poder Divino
O Vento sabe que tem.
Paulo S Nazareth
08/2024
Paulo S Nazareth
Foice o tempo
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