
humor do eleitor
o humor do eleitor e o bem-estar definem o quadro eleitoral
ELEIÇÕES 2026 |
ESPECIAL ENTREVISTAS
“O otimismo ou o pessimismo da população variam conforme a sensação de bem-estar e são determinantes nas disputas eleitorais.”
— Luiz Paulo Vellozo Lucas

PANO DE FUNDO | POLÍTICA \ BASTIDORES
DON OLEARI
O eleitor e o sentimento político
Don Oleari: Você publicou recentemente um artigo sobre o comportamento do eleitor diante do antagonismo político e da aprovação ou não dos governantes.
O que mais determina esse movimento de apoio ou rejeição?
Luiz Paulo Vellozo Lucas: A sensação de bem-estar — a feel good sensation — é um fator decisivo que influi eleitoralmente, a favor ou contra o governante da hora.
O otimismo ou o pessimismo da população variam conforme essa percepção e servem de referência tanto nas eleições gerais quanto nas locais.
As eleições sempre expressam o antagonismo entre aprovação e desaprovação — continuidade ou ruptura.
Quem está no governo local é ajudado pelo otimismo nacional, seja aliado político ou não. Já a oposição tende a reforçar o posicionamento crítico e o pessimismo.
O alinhamento político entre os níveis local e nacional é geralmente percebido como vantajoso.
Eleições no regime militar
Don Oleari: Historicamente, o Brasil viveu períodos de controle político rígido. Como isso afetava o comportamento eleitoral?

Luiz Paulo Vellozo Lucas: Durante o regime militar, as eleições permitidas — já que não havia voto para presidente, governadores e prefeitos das capitais — eram realizadas com voto vinculado.
O eleitor era obrigado a escolher todos os candidatos do mesmo partido.
Existiam apenas dois: a ARENA, da situação, e o MDB, da oposição.
Em 1979, o pluripartidarismo foi restaurado: a ARENA virou PDS e o MDB passou a ser PMDB.
Surgiram também o PT, o PDT e o PTB. Essa polarização manteve a força da oposição e começou a preocupar o regime.
Eleição do voto vinculado: 1982
Don Oleari: E o que representou a eleição de 1982 nesse contexto?
Luiz Paulo Vellozo Lucas: Em 1982, no governo do general Figueiredo, houve eleições simultâneas para governador, senador, deputado federal, deputado estadual, prefeito e vereador — todas com o voto vinculado.
O objetivo era usar o controle político municipal para influenciar os demais níveis de governo e preservar o colégio eleitoral que escolheria o presidente da República, garantindo a predominância de políticos leais aos militares.
Lei Falcão e controle da comunicação
Don Oleari: A Lei Falcão também fazia parte dessa estratégia de controle?
Luiz Paulo Vellozo Lucas: Sim. A Lei Falcão, de 1976, proibia os candidatos de falarem diretamente com os eleitores no rádio e na TV.
Não havia debates, jingles, entrevistas nem discursos — apenas fotos fixas e a leitura do currículo.
Em 1982, essa lei ainda vigorava. Com o voto vinculado e com o “senador biônico” — aquele não eleito — o regime conseguiu manter o controle formal do colégio eleitoral, elegendo dois terços dos governos estaduais e assegurando maioria do PDS.
Vale lembrar: não existia internet nem celular.
Tancredo e o fim da ditadura
Don Oleari: Mas, pouco depois, o regime acabou perdendo o controle político. O que deu errado?
Luiz Paulo Vellozo Lucas: Os estrategistas militares não previram que boa parte dos políticos eleitos pelo PDS acabaria sintonizada com o pessimismo da sociedade.
Essa dissidência abriu caminho para a adesão ao PMDB e para a vitória de Tancredo Neves, em 1985, com o apoio da Frente Liberal — que depois deu origem ao PFL.
A ameaça de anular votos de quem escolhesse candidatos de partidos diferentes funcionou apenas parcialmente.
O mal-estar com a ditadura e o pessimismo popular não deram vitória eleitoral à oposição em 1982, devido à manipulação das regras, mas garantiram a virada no colégio eleitoral de 1985.
Propaganda, redes e bem-estar hoje
Don Oleari: Voltando ao presente: como essa “sensação de bem-estar” atua no Brasil de hoje?
Luiz Paulo Vellozo Lucas: Hoje ela é amplificada pela propaganda massiva, especialmente nas novas mídias digitais.
Mas também reflete as entregas reais dos governos.
Os parlamentares estaduais e federais participam disso, apoiando ou se opondo a projetos e, principalmente, por meio das emendas orçamentárias — R$ 68 milhões por ano para cada senador e R$ 37 milhões para cada deputado federal em emendas individuais impositivas, fora as de bancada e de relator.
O clima político para 2026
Don Oleari: E qual é o clima político atual, olhando para 2026?
Luiz Paulo Vellozo Lucas: A desaprovação do governo federal caiu após as negociações com Trump e o esvaziamento político do bolsonarismo.
O projeto Lula 4 se fortaleceu, mas as pesquisas mostram um grande desejo de mudança no plano nacional.
Há cansaço com a polarização e com o radicalismo.
Cresce a demanda por racionalidade e moderação.
Mesmo sem um projeto alternativo “fulanizado”, alguns analistas acreditam que um nome regional, ainda desconhecido nacionalmente, e sem nenhum dos Bolsonaros na chapa, pode vencer Lula em 2026.
Governos estaduais em alta
Don Oleari: E quanto aos governos estaduais?
Luiz Paulo Vellozo Lucas: Os governos estaduais, em geral, estão se saindo melhor do que o governo federal.
Eles vêm se apropriando do otimismo existente — o que pode ser suficiente para manter o poder em nível estadual, mas ainda não garante vitória presidencial.
“Os governos estaduais estão dando mais certo do que o governo federal e se apropriando do otimismo existente.”
humor do eleitor
Edição, Don Oleari – [email protected] | https://twitter.com/donoleari
http://www.facebook.com/oswaldo.oleariouoleare –
Instagram do Don Oleari Portal de Notícias
https://www.instagram.com/donolearinoticias/
Fontana | José Augusto Anjos Araújo anota erros e corrige reportagem sobre o craque
LP | Mais uma Feira neste fim de semana
A NDC – Contribuição Nacionalmente Determinada do Brasil – Parte 1




