Sarampo
Baixa vacinação de sarampo na mira de vários países das Américas
ESPECIAL VACINAÇÃO SARAMPO
ARTIGO |
ROSANE ORTH ARGENTA, GESTORA DE SAÚDE
O avanço do sarampo nos Estados Unidos e em outros países das Américas chama atenção para os riscos da queda na cobertura vacinal.
Quando menos pessoas estão protegidas, aumentam as chances de o vírus se espalhar.
Além de ser altamente contagiosa, a doença pode causar complicações graves, como pneumonia e inflamação do cérebro.
De acordo com dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Canadá concentram mais de 95% dos casos confirmados de sarampo nas Américas em 2026.
Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), os EUA chegaram a 4.410 casos confirmados e três óbitos pela doença até 15 de outubro deste ano, maior índice registrado em mais de três décadas.
Até 5 de outubro deste ano, a Pensilvânia somava 1,4 mil casos, cinco óbitos e 198 hospitalizações de acordo com as autoridades de saúde, enquanto Nova York declarou emergência recentemente após 108 registros.

Quando há muitas pessoas suscetíveis, o vírus encontra brechas para se espalhar, ultrapassando os limites de um bairro ou município e podendo alcançar outros países.
Já o indivíduo vacinado tem menos chances de adoecer, e caso isso aconteça, tende a desenvolver sintomas mais leves.
O alerta também serve para o Brasil onde a doença volta a afetar os brasileiros.
Em São Paulo, a doença chegou a 40 casos confirmados em 2026, segundo balanço do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) estadual divulgado em 1º de outubro.
Desses, 30 pacientes não tinham registro de vacinação ou estavam com o esquema incompleto, de acordo com o governo estadual.
Embora esses registros não signifiquem, por si só, que o vírus voltou a circular de vez no país, eles reforçam a necessidade de manter a vigilância para evitar que a contaminação se estenda.
Para interromper a transmissão sustentada do sarampo, o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceram a meta de alcançar 95% de pessoas vacinadas.
Assim, favorecendo a imunidade coletiva e contribuindo para a proteção daqueles que não podem receber a vacina, como pessoas com imunidade muito comprometida, e quem ainda não desenvolveu proteção completa.
Prevenção começa na infância
A prevenção contra o sarampo começa na infância, com a vacina tríplice viral, que também protege da caxumba e rubéola.
A primeira dose é indicada aos 12 meses e a segunda, aos 15 meses de vida. Em situações específicas, bebês de 6 a 11 meses podem receber uma dose extra, sem substituir as do calendário básico.
Adultos devem conferir a caderneta conforme a idade e o histórico individual, especialmente antes de viagens internacionais, atualizando as doses necessárias com pelo menos 15 dias de antecedência do embarque.
A história recente nos ensina que a hesitação vacinal custa caro e que o sarampo não dá trégua diante de coberturas incompletas.
Manter o país protegido exige que a imunização seja tratada como prioridade contínua, da infância à vida adulta.
Diante do avanço da doença pelas Américas, a resposta mais eficaz continua ao alcance de todos: informação de qualidade, conscientização e a vacina em dia.
A imunidade coletiva se constrói com a atitude individual de cada um de nós.
Rosane Orth Argenta é cirurgiã-dentista por formação, área em que atuou por 18 anos e chegou a abrir uma clínica multiprofissional ao lado do marido, Dr. Fábio Argenta, cardiologista.
Ao longo da carreira, foi professora universitária nas áreas de Bioquímica, Microbiologia e Clínica Odontológica, além de lecionar em programas de MBA voltados à gestão de clínicas de saúde.
Atualmente, Rosane é CEO e gestora de saúde da Saúde Livre Vacinas, rede especialista em imunização, segmento onde coleciona mais de 14 anos de experiência.
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Com Gabriela Araujo
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