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ESPECIAL GUERRA CONTRA O IRÃ
LUIS MANUEL ARCE ISAAC |
TRADUÇÃO: WILSON COÊLHO
Irã e a agonia do nazionismo: a guerra iniciada por Israel e assumda pelos EUA tem algum vencedor?
Dúvida global sobre quem está vencendo
Muita gente nos Estados Unidos, em Israel, na Europa e no Oriente Médio se pergunta: afinal, quem está vencendo a guerra contra o Irã?
A versão oficial, repetida por Donald Trump e Benjamin Netanyahu, aponta vitória. Mas cresce a percepção de que isso pode ser apenas uma ilusão – como nos videogames.
Guerra real não é simulação
Não é a mesma coisa traçar estratégias no conforto de um sofá, apertando botões, do que enfrentar um campo de batalha real.
Bombas, drones e foguetes não são virtuais. A prática, concreta e tangível, é quem confirma se a teoria funciona — ou fracassa.
Contradições no discurso de Trump
As declarações de Trump aumentaram a confusão.
“Missão cumprida. Já vencemos em muitos sentidos, mas não o suficiente.”
“A excursão é curta. Já estamos terminando.”
“EUA estão aniquilando a Marinha do regime iraniano.”
E mais recentemente:
“Se permanecerem fechando o Estreito de Ormuz, receberão golpes 20 vezes mais fortes.”
Uma lógica que não fecha
Se a missão foi cumprida, por que a guerra continua?
O assassinato do aiatolá Khamenei não provocou a queda da revolução islâmica, nem gerou revolta popular interna, como previsto.
O povo iraniano não saiu às ruas para aplaudir os invasores. O plano central falhou.
A guerra que não termina
A prometida “guerra relâmpago” não acabou em 72 horas.
Já ultrapassou dias críticos e segue em intensificação. Isso levanta outra questão: se estão vencendo, por que os Estados Unidos reposicionam sistemas de defesa e ampliam presença militar?
A realocação de equipamentos da Coreia do Sul para o Oriente Médio indica pressão — e não controle.
Subestimação do Irã
Especialistas ocidentais afirmavam que o Irã estava muito abaixo de Israel em capacidade militar.
Mas os fatos colocam isso em dúvida.
Os ataques iranianos parecem ter rompido sistemas de defesa considerados altamente eficazes, como a chamada “cúpula de ferro”, atingindo alvos sensíveis.
Censura e narrativa controlada
A diferença de imagens divulgadas levanta suspeitas.
Há abundância de registros de destruição no Irã, mas poucas imagens de danos em cidades israelenses — e quase nenhuma de instalações americanas.
Isso sugere controle informacional e tentativa de moldar a narrativa pública.

Ormuz continua fora de controle ocidental
Apesar das ameaças, o Estreito de Ormuz segue sob controle do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI).
A promessa de reabertura pela força ainda não se concretizou.
A pergunta que surge é direta: será incapacidade ou receio de uma escalada ainda maior?
O risco do choque energético
Caso Ormuz permaneça bloqueado, o impacto pode ser devastador.
Analistas falam em petróleo acima de 200 dólares por barril. Isso remeteria a crises históricas, como a de 1973 – mas com agravantes no sistema financeiro global atual.
A questão é: quem assumirá o custo político e econômico?

Isolamento relativo e busca por apoio
Trump inicialmente descartou apoio da OTAN, apostando em uma vitória rápida.

Agora, busca respaldo de líderes europeus que antes criticava, como Emmanuel Macron, Friedrich Merz e Keir Starmer.
O cenário indica mudança de cálculo – e necessidade de apoio externo.
Custos e desgaste crescente
Especula-se que os Estados Unidos tenham consumido rapidamente grande parte dos recursos destinados a uma guerra curta.
Em poucos dias, bilhões de dólares foram gastos.
A dúvida é se haverá capacidade financeira e logística para sustentar um conflito prolongado — ainda mais com Israel atuando em múltiplas frentes.
Erro de avaliação estratégica
Surge uma hipótese incômoda: a inteligência militar e os algoritmos de análise podem ter subestimado o Irã e superestimado Israel.
Se isso se confirmar, trata-se de um erro estratégico de grandes proporções.
Tempo joga contra
Sem respostas claras, resta aguardar.
O que se percebe é que o tempo passa a jogar contra os Estados Unidos e Israel. Quanto mais longa a guerra, maior o custo político e econômico.
Irã indica resistência prolongada
Autoridades iranianas afirmam que os primeiros dias foram apenas um “aquecimento”.
Segundo eles, foram usados armamentos antigos, de baixo custo, enquanto capacidades mais avançadas ainda estariam sendo preservadas.
Duas narrativas opostas
Enquanto Trump afirma que a guerra está perto do fim, o Irã sustenta o oposto: que ela está apenas começando.
O CGRI afirma ter capacidade de sustentar meses de combate intenso — e anos de resistência.
Quem decide o fim da guerra
Um dos pontos mais sensíveis é a afirmação iraniana de que o fim do conflito não será determinado por Washington ou Tel Aviv.
Segundo o CGRI, essa decisão caberá ao próprio Irã.
Nova fase da contraofensiva
Relatos indicam que o Irã iniciou uma nova etapa ofensiva com armamentos mais pesados e sofisticados.
Mísseis de grande capacidade destrutiva e drones mais avançados passaram a ser utilizados, elevando o nível do confronto.
Preparação de longo prazo
Segundo fontes iranianas, essa capacidade não surgiu de forma improvisada.
O país teria se preparado por décadas para um cenário como o atual, desenvolvendo estratégias e estruturas adaptadas a um conflito assimétrico.
A estratégia da Defesa em Mosaico
Um dos pilares dessa preparação é a chamada Defesa em Mosaico.
Trata-se de uma estrutura descentralizada, em que unidades operacionais têm autonomia para agir mesmo sem comando central.
Isso garante continuidade das operações, mesmo diante de perdas na liderança.
Resiliência sob ataque
A eficácia dessa estratégia teria sido comprovada após ataques que eliminaram comandantes importantes.
Mesmo assim, a resposta iraniana foi imediata e coordenada.
A descentralização impediu o colapso da estrutura militar.
Contradições expostas em tempo real
Um episódio simbólico reforça essa percepção.
Enquanto Trump afirmava publicamente que a capacidade militar iraniana havia sido destruída, novos ataques eram lançados, desmentindo suas declarações de forma imediata.
Pressão interna e memória histórica
O texto encerra com um alerta político.
Se a guerra se prolongar e os custos humanos aumentarem, a pressão interna nos Estados Unidos pode crescer — como ocorreu durante a Guerra do Vietnã.
A referência histórica sugere que conflitos longos e impopulares podem ter desfechos políticos imprevisíveis.
Apelo final
A conclusão aponta para uma única saída possível: interromper o conflito antes que ele se aprofunde ainda mais.
Esperar pela derrota ou pela pressão popular pode tornar o custo ainda mais alto.
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