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Carnaval tem todas as conexões com ancestralidade
ARTIGO |

MANOEL GOES NETO
Como acontece há alguns anos, o Carnaval do Brasil começará em Vitória, capital do ES, com dois desfiles da elite do carnaval da Grande Vitória do Grupo de Acesso A.
Serão cinco escolas desfilando na sexta-feira, dia 6 de fevereiro, e outras cinco no sábado, 7 de fevereiro, em uma pré-ordem já definida, com tudo a que temos direito.
Vitória abre alas para as alegorias, o samba e toda a agitação das agremiações no Sambão do Povo, situado entre os antigos bairros Vila Rubim e Santo Antonio.
A folia é um espetáculo cultural e também um motor para a economia local, beneficiando os setores hotelaria, gastronomia, transportes e costura, além de elevar a autoestima da população.
São momentos de acesso democrático à plena manifestação da cultura popular brasileira.
A primeira escola de samba de Vitória foi a Unidos da Piedade, fundada em 1955 e responsável por seu primeiro desfile em 1956 com estrutura completa: comissão de frente, bateria, mestre-sala e porta-bandeira.
O Carnaval pode e deve ser compreendido como expressão da cultura popular em seu significado mais atual.
Não a cultura “feita pelo povo”, nem a cultura “feita para o povo”, mas a cultura que se estabelece dinamicamente além das institucionalizações.
Uma cultura que consome e se oferece ao consumo e que, nesse movimento, produz práticas que formulam continuamente perguntas, desejos e respostas.

Assume novas formas, preenche vazios, invade espaços e reinventa, de maneira constante, novos significados para antigas tradições ou novas tradições para antigos significados.
Após a colonização, o Carnaval no Brasil tornou-se independente dos festejos de sabor africano e dos bailes de máscaras realizados na Europa pelos portugueses, de onde teria se originado.
O Carnaval brasileiro adquiriu personalidade própria, como cultura do seu povo.
Vieram os sambas, as marchas e os frevos, ensaiando e divulgando comportamentos e sentimentos da população.
A cultura africana e afrodescendente está diretamente ligada ao Carnaval.
Histórias, músicas e religiões são parte fundamental da construção dos desfiles das escolas de samba.
A ancestralidade afro inspira a maior festa do planeta, tornando-se um grande símbolo de resistência.
Por isso, o Carnaval vai muito além do que se vê na avenida: é a representação do legado de um povo.
Todo desfile de escola de samba é afro. A escola de samba é uma instituição da cultura afro-brasileira, ainda que muitas vezes tentemos capturá-la apenas pela lógica do espetáculo e do turismo.
Estão ali a bateria e seus toques, o giro das baianas, as passistas, referências construídas pela população preta brasileira, em especial nas comunidades cariocas.
É uma grande festa popular, vivenciada na alma do povo, revelando sentimentos profundos.
As músicas de Carnaval e os sambas-enredo das escolas de samba, elaborados por verdadeiros poetas, são reconhecidos e exaltados.
A criatividade e o romantismo transformam a melodia em expressão popular de alegria, amor e devaneio espiritual.
O Carnaval tem raízes psicológicas, sociais e culturais.
É o período em que o povo exprime emoções, incentiva fantasias e extravasa sentimentos de felicidade.
Por meio das músicas, revela alegria, felicidade e sonhos.
Manoel Goes Neto | Produtor cultural, escritor e membro do IHGES
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