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Brazil (2023): Uma indesejável distopia

Brazil

Para a Esquerda os fins justificam os meios. E isso é um “valor revolucionário”,  com o que ela assume até cinicamente o arbítrio como forma de preservar e manter o poder que ameaça lhe escapar pela decepção da sociedade.

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eustáquio palhares, jornalista

 

Por Eustaquio Palhares

Em tempos da Economia da Atenção, em que a possibilidade da emissão de conteúdos expandiu-se numa escala oceânica e cada mensagem busca em parcos segundos gerar o interesse do destinatário, é necessário repisar conceitos no esforço de que se fixem minimamente, ganhem consistência, despertem atenção e, eventualmente, interesse.

Volto, portanto, à questão da normose, a disfunção social em que o insólito, o desregrado, o desviante ou a exceção que apenas deveria confirmar a regra se torna o padrão predominante.

A frequência de uma prática passa a convalidá-la independentemente de sua qualidade intrínseca. É essa frequência que define a sua, então, “normalidade”, daí a normose. O comportamento que por predominante passa a ser validado.

A sentença clássica de que nos tempos de guerra a primeira vítima é a verdade tornou-se o manto da realidade brasileira e da polarização que mira essa realidade com lentes distintas. E divergentes. A verdade passou a ser  inteiramente depreciada em função de suas versões.

Ou a quem circunstancialmente favorece. No espectro político dominado pela polarização, a avaliação do mérito de qualquer coisa é orientada pelo viés positivo ou negativo, contra ou a favor. Dependendo de quem ou de onde  se origina.

O jornalismo sucumbiu a isso. O engajamento de parte considerável da mídia nacional na avaliação e interpretação dos fatos prevaleceu sobre valores sagrados do ofício como o compromisso com a isenção possível do relato, o distanciamento crítico que era proporcionado com a desidentificação do jornalista, de modo que a apreciação do fato não envolvesse seu sistema de valores pessoais, crenças, idiossincrasias e referências, mas um relato objetivo, a descrição do evento para além dos filtros ideológicos.

O custo dessa conduta é fatal ao próprio jornalista, sedimentando o sentimento na maior parte da população que se percebe, então,  historicamente manipulada por uma imprensa que atendia prioritariamente  aos seus próprios interesses, não o de servir ao público, mas servir-se deste, manipulando-o. Ou tentando.

Assim, os manifestantes de oito de janeiro em Brasília, tornaram-se “golpistas”. As dúvidas que em outras épocas ministros destacados arguiam, suspeitando do sistema eletrônico de votação, foram substituídas por novas certezas agora convenientes à situação que defendem.

O mito da imparcialidade da Justiça foi solene e afrontosamente escanteado por óbvias condutas e posturas agora desnudadas quando ministros do STF sentem-se “traídos” pelo voto do líder do Governo no Senado, senador Jaques Wagner, a favor da PEC que extingue o voto monocrático da corte, relativizando a onipotência de cada ministro.

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 “L’Etate c´est moi” |  gettyimages

Ou seja, da Corte que foi tão parceira, aliada, ajudando assumidamente o atual Governo a chegar onde está.

Os arroubos dessa própria corte, instaurando  inquéritos, julgando e sentenciando, ressuscitam o cinismo do “L’Etate c´est moi” com que o rei francês desdenhava o clamor revolucionário antes de ter a cabeça decepada.

Os ministros do Supremo Tribunal Federal tornaram-se entidades, tornaram-se, eles, a própria lei.

Escancarou-se o arbítrio no Brasil de uma forma que a Ditadura Militar de 1964-1985 inibiu-se de fazê-lo. O direito de expressão passou a ser seletivo.

Alguns políticos e jornalistas não podem se expressar imputando-se a tais manifestações tramas contra a democracia tanto quanto outros podem desenvoltamente tecer conjeturas fantasiosas desde que estas sirvam às acusações ou alinhamentos dos “guardiões” da Democracia.

Voltando ao Oito de Janeiro, é óbvio que aquela manifestação cívica, cidadã foi o estuário de movimentos  legítimos que se espalharam pelo Brasil com a vigília na porta dos quartéis. Durante esse período que culminou no oito de janeiro era explicita a preocupação dos manifestantes em  expressar um sentimento que não se confundisse com vandalismo ou a anarquia. Os cuidados com a ordem incluíam a preocupação até com a preservação e limpeza dos locais que ocupavam.

Se foram suficientemente néscios no oito de janeiro para não perceberem o óbvio expediente de infiltração de vândalos no movimento, visando desmoralizá-lo, desconstruí-lo, tanto pior. Flávio Dino (*), na CPMI, diligentemente cuidou para que as  imagens que mostravam os vândalos em ação fossem não disponibilizadas, pelo tanto que resultariam de evidências inquestionáveis. Transparência é boa nas ações dos outros.

(*) Flavio Dino será um “comunista” no STF, segundo disse o presidente da República.

A questão no Brasil hoje transcende largamente à polarização entre Direita e Esquerda e a personificação desse embate entre o ex-presidente e o presidente atual. Coloca-se como a mais grave investida contra a democracia pelo STF amordaçando a manifestação popular, intimidando de modo ostensivo e inédito a sociedade que, enquanto povo – pelo menos o brasileiro – age como povo, passivo, paciente e sobretudo temeroso de retaliações. Os opressores têm plena consciência disso.

Negam os elementares fundamentos da democracia e agem, cinicamente, como seus fervorosos defensores confiantes no poder de intimidação, já que as pessoas, entre confiarem em suas próprias avaliações e percepções e serem hostilizadas, presas, não relutam na postura a assumirem: escudarem-se no medo, no temor, instintivamente, evitando o papel de engajados em uma causa perdida. ´

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zanin. advogado do presidente, no stf

É a confiança na estratégia do medo da sociedade, do seu pavor em ser estigmatizada como antidemocrática que autoriza um cinismo que patrocina toda sorte de atitudes claramente aéticas, afrontosas, desrespeitosas. O presidente alça sua esposa à condição de virtual vice-presidente e, como tal, habilitada aos protocolos reservados aos chefes de Estado em suas missões diplomáticas e comerciais.

O regramento formal ou tácito de que ela deveria se reservar o papel civil da sua relação com o presidente é inteiramente desconsiderado. Ele dita o protocolo. Ele é a norma.

Ministros do STF não se pejam de telefonar para os congressistas  pedindo apoio às sua agendas. “Apoio” é um eufemismo para uma explícita ameaça, já que detém em suas gavetas processos convenientemente retidos que pairam sobre a cabeça de deputados e senadores como uma lâmina de guilhotina. É óbvio e indiscutível tal poder de “argumentação”.

O cinismo é o estilo com que assumem a disposição de assumir uma agenda de Esquerda onde o equilíbrio das contas públicas é preterido em favor da necessidade de financiar uma agenda prioritária para um projeto político de longo prazo. Não me surpreenderia com um Mensalão II, o retorno.  Zerar o déficit público – que rebate diretamente nos custos da dívida pública e no custo de manutenção do Estado, tornou-se apenas uma opção descartada em face das nebulosas prioridades.

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josé dirceu: tomar o poder é diferente de ganhar eleição

Quando o verdadeiro líder do PT, José Dirceu (convenientemente escudado na mais indevassável discrição e silêncio atuais) vociferou que o projeto não era de Governo, mas de Poder, na prática antecipou tudo o que se vê no Brasil atual, com o conluio assumido, nada tácito, de uma Suprema Corte que há muito outorgou-se o poder de se colocar acima dos demais poderes.

É indiscutível a capacidade da Esquerda em tecer narrativas  e nisso se revela fervorosa  adepta de Goebbels, o ministro nazista para quem a mentira reiterada assume foros de verdade.

A partir de seus tentáculos judiciais, desmoralizou a Lava Jato, a única cruzada moralizante realmente empreendida nos 523 anos de Brasil e que desnudou a relação permissiva, promíscua, degradante mesmo, dos crônicos beneficiários das obras públicas com as autoridades governamentais.

Forjaram inconsistências como a questão de competência de jurisdição dos processos de Lula se tornar mais relevante que a criminosa conduta imputada aos réus, conseguiram apagar da memória coletivas as confissões e delações inéditas em função do perfil social de seus autores, contrariando a crença histórica de que no Brasil “rico não pega cadeia”.

Mas a grande estratégia – replicada aqui a exemplo de todos outros países – é a de se arvorar em ardorosa defensora da democracia  como meio de alcançar o poder e assim que o fizer , tornar  a democracia sua primeira vítima. Sequestrá-la despudoradamente.

Para a Esquerda os fins justificam os meios – e isso é um “valor revolucionário” –  com o que ela assume até cinicamente o arbítrio como forma de preservar e manter o poder que ameaça lhe escapar  pela decepção da sociedade.

Veja-se Lula nomeando o seu advogado para o STF. Claro que uma pessoa atenta ao mínimo critério de ética e favorecimento se pejaria de fazê-lo.

Agora, o ministro Flávio Dino será ministro da Suprema Corte e o rito de sabatina e aprovação pelo Congresso assumem a dimensão de farsa não menos cínica.

A retomada pelo Governo petista dos financiamentos do BNDES aos países sul-americanos e africanos, veementemente denunciada por se tratar de desvio de dinheiro público para financiar o projeto ideológico da expansão continental socialista de José Dirceu, reforça a certeza de que a omissão e o silêncio de uma sociedade intimidada autorizam-lhes todas as arbitrariedades e desatinos. Era, na verdade e desde sempre, disso que Zé Dirceu falava.

A capacidade de maquinação da Esquerda não prevê um entendimento com a realidade e isso é que desnudará a farsa que hoje se encena. A perspectiva histórica mostrará isso claramente, embora seja bastante preocupante o seu custo. A degradação social, a convulsão da economia, a perda de referências e mesmo a pragmática falta de resultados que poderia contemporizar a avaliação dos resultados desse projeto político certamente custará caríssimo à sociedade.

Ela pagará o preço de sua passividade, acomodação, temor ou mesmo incapacidade de formular alternativas e se engajar em atitudes restauradora. No seu curso, esse processo simplesmente replicará o que o mundo assiste desde, simbolicamente, 1917. Não é por pérfida coincidência que a experiência socialista malogrou em todas as partes do mundo e só vigorou enquanto os canhões tiveram munição para sustentar a falta de pão.

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Edição, Don Oleari – [email protected]

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