Cachoeiro de Itapemirim
Equipe de Cachoeiro de Itapemirim superou concorrentes de vários países com robô sustentável feito de MDF; projeto incluiu impacto social e criatividade com materiais acessíveis
COLUNA AQUI CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM | SUL DO ESPÍRITO SANTO
DA REDAÇÃO DON OLEARI PN |
SUGESTÃO DE PAUTA DO NOSSO COLABORADOR FRANCISCO HILÁRIO SOARES BRANDÃO
Seis estudantes do ensino médio do Sesi de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, entraram para a história.
Eles conquistaram o 1º lugar geral no FTC Premier Event México, uma competição internacional de robótica educacional realizada entre os dias 22 e 24 de maio, em Monterrey.
É a primeira vez que uma equipe brasileira vence essa categoria da disputa.

Representando o Brasil com o robô Fúria da Noite — inspirado no filme Como Treinar o Seu Dragão — os jovens superaram 21 equipes de países como Estados Unidos, México, Venezuela e Guatemala, além de outras três equipes brasileiras (RJ, GO e SP).
A equipe é formada por Alicia Lima Carari, Laura Gomes Roberte Silva, Henrique Silva Sant’Anna, Gabriel Fragoso Ferreira, Eduardo Cereza Rodrigues e João Vitor Miranda de Oliveira.
Eles são alunos do 1º e 2º anos, com idades entre 15 e 16 anos. Tiveram a orientação dos professores Leandro Bayerl e Natanael Tomazeli.
O professor Natanael, que acompanhou os alunos na viagem, celebrou o feito:
“É um resultado inédito para o Brasil. Nunca uma equipe brasileira havia vencido essa categoria. Foi a primeira competição internacional dos alunos, e também a primeira vez que eles viajaram para fora do país. Estão todos muito felizes”, comemorou.
Criatividade, sustentabilidade e inovação
O Fúria da Noite, com 45x45x43 cm, foi projetado para simular a coleta de amostras do fundo do mar, operando em uma arena de 6×6 metros.
O robô precisava recolher e depositar objetos em cestas de diferentes alturas, ou entregá-los a um membro da equipe para identificação.
O destaque da construção foi o uso de MDF curvado, aliado a conceitos de biomimética inspirados na flexibilidade do bambu.
Isso conferiu leveza, resistência e baixo custo ao projeto — fatores decisivos para a premiação.
“Somos uma equipe iniciante, com recursos limitados. Buscamos soluções criativas. Essa escolha pelo MDF e o conceito de flexibilidade inspirado no bambu foi o que nos garantiu o prêmio de inovação na etapa nacional e nos credenciou para essa disputa internacional”, explicou o professor Natanael.
O MDF (Medium Density Fiberboard) é um material feito de fibras de madeira prensadas com resina, bastante utilizado pela acessibilidade e versatilidade.
Além da construção do robô, os estudantes desenvolveram toda a documentação técnica e apresentaram o projeto a juízes internacionais — tudo em inglês. Apenas dois integrantes da equipe são fluentes, o que tornou esse desafio ainda mais marcante.
Tecnologia com impacto social
Mais do que um robô, o projeto precisava mostrar impacto social.
E os estudantes foram além: promoveram oficinas em escolas públicas, workshops em bairros de vulnerabilidade social, visitaram uma comunidade quilombola e apresentaram o projeto em um shopping da cidade.
“Não é só construir o robô. A gente tem que mostrar como isso impacta outras pessoas. Fizemos oficinas em escolas públicas, levamos a robótica para uma comunidade quilombola, demos workshops em bairros de vulnerabilidade social e apresentamos nosso projeto em um shopping da cidade. Isso mudou a minha vida completamente”, contou Alicia Lima, de 16 anos.
Alicia entrou para a robótica em 2023 e ajudou a fundar a equipe Tech Dragons. Desde então, mergulhou no universo técnico e humano que o projeto oferece.
“Foi difícil conciliar tudo, porque somos uma equipe pequena, começando do zero. Mas aprendemos muito. Vencer esse prêmio mostrou que valeu a pena cada esforço”, afirmou.
Reconhecimento e celebração
Além do título de campeões, os alunos receberam o troféu Innovate Award, que celebra projetos de destaque em criatividade e engenharia. Na chegada ao Brasil, no dia 26, foram recebidos com festa, desfile em carro aberto e recepção calorosa na escola, no bairro Alto Monte Cristo, em Cachoeiro de Itapemirim.
Vídeos mostram o grupo sendo aplaudido por colegas, professores e funcionários ao exibirem orgulhosos o troféu da competição.
Apoio fundamental
A jornada da equipe começou em setembro de 2024, com o início da nova temporada da First Tech Challenge (FTC) — categoria da organização internacional FIRST, voltada à robótica educacional.
Após vencerem a etapa nacional em março, os estudantes garantiram vaga no torneio internacional.
Todo o transporte, hospedagem e alimentação foram custeados pelo Sesi.
As famílias arcaram apenas com os gastos de passaporte e visto. A delegação contou com os seis alunos, dois professores e uma representante da instituição.
“A escola nos dá toda a estrutura — laboratório, maquinário, espaço físico. Isso faz muita diferença e aumenta a vontade dos meninos de continuar. Estamos muito orgulhosos”, destacou o professor Natanael.
Cachoeiro de Itapemirim
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Com informações do Sesi
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