Equidade e Inclusão
ESPECIAL COMPORTAMENTO
DA REDAÇÃO DON OLEARI PN
Uma pesquisa divulgada no Meio & Mensagem recentemente, conduzida pela Ad Age – https://adage.com/– em parceria com a Harris Poll – https://theharrispoll.com/ – revelou como as diferentes faixas etárias se posicionam diante dos retrocessos em medidas de DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão).
Diante de um cenário em que grandes empresas começam a recuar em suas políticas de diversidade e inclusão, cresce a pressão por parte da Geração Z (***) para que as marcas assumam posicionamentos claros, consistentes e autênticos.
O movimento, além de cultural, é estratégico e impacta diretamente na relevância das marcas no mercado. Trabalha um conceito de que não há mais lugar para lideranças que não sejam concscientes e inclusivas,

– Por que a Geração Z exige um novo tipo de comunicação – com propósito, representatividade e verdade?
A geração Z são as pessoas nascidas entre 1995 e 2010, que já nasceram como sendo a primeira geração nativa digital. A internet passa a ser a grande resposta para perguntas anônimas, com múltiplas respostas, mas também múltiplas conclusões. Nessa forma, de alguma maneira, aprenderam a buscar respostas rápidas, nem sempre verdadeiras, mas que deixaram essa geração mais empoderada em relação aos mais velhos.
Isso ajudou a abrir os conhecimentos sobre os impactos negativos que o capitalista racional vinha impondo às pessoas e ao planeta. Digo também que foi a primeira geração a nascer com o chip do propósito implantado. Com isso, as empresas precisam fazer sentido para elas, e não apenas oferecer produtos e serviços qualquer, mas com uma responsabilidade social e ambiental.
– Qual é o risco real para marcas que recuam em DEI?
Criar narrativas sobre diversidade, equidade e inclusão deve ser legítimo. Estamos vivendo também um momento onde várias empresas adotaram exageros sobre esse tema. Indo para outro extremo, onde grupos internos, estruturados para criarem a inclusão, passaram a criar guetos de exclusão das pessoas diversas a esse grupo. Agora estamos no que eu chamo de freio de arrumação, que pode levar a uma imagem ilusória de retrocesso. Mas como todo ajuste de novas iniciativas, vai encontrar o seu ponto de equilíbrio. Mais do que parecer, uma empresa precisa ter e viver um programa de diversidade, equidade e inclusão verdadeiro.
– A empresa tem bom retorno com investimento em DEI?
A empresa não pode tolerar a discriminação de nenhuma espécie e oportunidades devem ser dadas a todos em condições de emergência adequada, pois quem não teve condições em sua vida de estudar e se preparar para competir, tem antes que ser preparado e capacitado para jogar o jogo em condições iguais. Isso requer uma política afirmativa que custa, mas, sendo equilibrada, vai gerar um grande retorno sobre esse investimento. Em um Brasil imenso, diverso e inclusivo, não podemos ter empresas onde seus quadros de colaboradores não representem a pirâmide socioeconômica do país. Não é fácil, mas necessário e urgente.
O escritor americano e negro James Baldwin disse: “nem tudo que é encarado poderá ser mudado, mas nada poderá ser mudado se não for encarado”.
– Nesse cenário, como as empresas podem perder conexão cultural e relevância de marca?
As marcas que decidirem recuar na diversidade, equidade e inclusão, serão altamente criticadas por essa geração, que acredita que o processo de diversidade de raça, equidade de gênero e inclusão social não são questões menores, e que, para gerarem retorno aos seus acionistas, vão ter que cuidar de todos os stakeholders de maneira econômica.
Por outro lado, pergunto: como uma empresa pode querer atender às demandas da sociedade brasileira tão diversa se, nos seus colaboradores, não tiver essa mesma diversidade? Porque ela é que tem lugar de fala e pode entender melhor os clientes. Muita gente tem pregado — e eu acredito nisso — que ESG quer dizer é sobre grana, além de ter um enorme risco reputacional e de geração de receita para as empresas. Se tomarem a decisão de recuar nessa gêmea.
– Como criar narrativas com responsabilidade sem cair no oportunismo ou no “diversity washing”?
A prática de ações de ESG está diretamente ligada à cultura da empresa. Se não houver uma governança alinhada com essa cultura sobre os pilares sociais e ambientais, todas as ações poderão ser consideradas falsas, gerando um enorme risco reputacional e financeiro para a empresa. Mas cultura é o que a liderança faz ou tolera, pois o exemplo arrasta, enquanto as palavras se movem. Uma empresa sem propósito e valores passa a ser uma empresa zumbi, sem personalidade própria, que simplesmente sobrevive tentando se moldar aos ventos políticos, sociais e dos costumes. Com isso, não tem uma proposta própria e põe em risco a sua continuidade.
Porta-voz: Hugo Bethlem, Presidente do Capitalismo Consciente Brasil – https://ccbrasil.cc/
(***) Geração Z é formada por pessoas nascidas entre 1997 e 2012. A abreviação é Gen Z, também conhecida como Zoomers. São os “nativos digitais”. É a geração da tecnologia e da internet desde que nasceram.
https://www.meioemensagem.com.br/comunicacao/geracao-z-exige-responsabilidade-em-meio-aos-retrocessos-em-diversidade
Equidade e Inclusão
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Com Kaique Mercês, da Assessoria de Imprensa
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