Lula não vai à reeleição
COLUNA PANO DE FUNDO | POLÍTICA | BASTIDORES

EDILSON LUCAS DO AMARAL
Foi com Fernando Henrique que a Constituição abriu a porteira da reeleição. Desde então, virou quase um rito de passagem: um presidente eleito, um presidente reconduzido.
FHC, Lula, Dilma. Até Dilma, sim, mesmo com os ventos contrários, cruzou essa ponte.
Mas aí veio Bolsonaro, e o fio da tradição se rompeu. A engrenagem emperrou.
O Brasil acostumado à dobradinha presidencial viu, pela primeira vez desde 1998, um titular ser substituído sem completar sua “série de dois”.
Relembro isso porque, mais uma vez, o país se pergunta: haverá reeleição? E Lula, agora no terceiro ato de sua epopeia, repetirá o ciclo
Duvido. A essa altura da travessia, não vejo no presidente o mesmo fôlego de outrora.
Não falo apenas da idade, que cobra seu preço com a paciência e com o corpo, mas da moldura política que o cerca — carcomida por desgastes, pressões internas e pela realidade econômica, que começa a desbotar a aquarela social do seu governo.
A reeleição seria um cume inóspito. A escalada exige mais que vontade: exige apoio, unidade, esperança — elementos escassos hoje no campo da esquerda.
A base histórica do lulismo começa a se esfarelar. O PDT, órfão de Brizola e cada vez mais arredio. O PSB, que já dançou com tantos parceiros.

Os partidos comunistas, que buscam nova narrativa e novo herói. O alicerce, que um dia sustentou o projeto de poder do PT, hoje range, desloca-se.
E o maior problema de Lula talvez seja o próprio espelho: nunca cultivou sucessores à altura de sua sombra. Haddad, ainda que elogiado por uns, não empolga as massas.
Dilma, já testada, caiu no meio do percurso. O campo progressista carece de uma nova estrela, de um nome que mova corações e urnas. Lula foi, é, e será por muito tempo o sol em torno do qual orbitam as esperanças da esquerda.
Mas até o sol se põe.
Lula não será candidato.
Não por fraqueza, mas por sabedoria. Sairá antes que o ciclo o consuma.
O gesto, se acontecer, será menos renúncia e mais legado: evitar a derrota para manter a lenda.
Mas aí mora a grande questão: quem virá?
Se a esquerda não achar seu nome, seus votos vagarão. Sem âncora, sem porto. Talvez se dividam entre a memória do lulismo e o apelo de algo novo — que pode vir do centro, da direita moderada ou até de onde menos se espera.
A sucessão será incerta, e o trono, perigosamente vazio.
E como se não bastasse o desafio eleitoral, quem vencer em 2026 encontrará um país carregado de dívidas — sociais, políticas e econômicas.
Um Brasil que, como o próprio Lula já disse certa vez, “não é para amadores”.
Talvez o maior legado do presidente seja aceitar que o tempo passou. Que os ventos mudaram. E que até os gigantes precisam descansar.
Não se trata de abdicar, mas de saber a hora de sair da cena, antes que as cortinas se fechem por conta própria.
Aguardemos o próximo capítulo. Como sempre, o Brasil escreve sua história com tintas inesperadas. Mas hoje, a caneta parece escapar das mãos de Lula.
E talvez ele saiba disso melhor do que todos.
Lula não vai à reeleição
Veja a reprovação do governo:
Edição, Don Oleari – [email protected] | https://twitter.com/donoleari
http://www.facebook.com/oswaldo.oleariouoleare –
Instagram do Don Oleari Portal de Notícias




