O artista e a política | 22/4

O artista e a política
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Kleber Galveas

O artista e a política

Por Kleber Galvêas, pintor

O artista ético não é oportunista, nem desleal com parceiros e o povo. Democrata convicto, deve acatar o resultado de uma eleição democrática, como expressão legítima da vontade da maioria.

Sua postura deve ser sempre, a vida toda, todos os dias, várias vezes por dia, a de criar obras concretas ou abstratas, do tempo ou do espaço, belas ou feias, para ajudar a formar a opinião política daqueles que observam o seu trabalho. Agindo o ano todo com coerência, dispensa voz de comando na última hora: vote neste ou naquele candidato.

Manifestar a sua vontade é legítimo, mas deve sempre manter uma postura suprapartidária. Isso é essencial para que o produto da sua criação original tenha valor próprio, estético, filosófico, e nunca seja percebido pela ótica sectária do ranço ou da filiação partidária.

Assim, o artista terá voz com autoridade própria, oriunda de sua plataforma cultural, para colaborar e criticar o governo legitimamente eleito, mesmo que ele seja contrário a suas ideias e vontade.

A arte não acontece no ato de construir a obra, ainda que virtuosa fica no vir a ser. Só se realiza quando a obra é exibida, apreciada e consegue sensibilizar alguém. O artista é um “operário” intrínsicamente político. O produto do seu trabalho só se completa com a participação do público. A natureza da arte é interativa, semelhante à do amor, não acontece sem parceria. Não existe amor de um só, nem arte sem público.

O artista e a política

Picasso, ao impedir que Guernica (foto de capa deste artigo), sua obra magna expressionista, retornasse após empréstimo para exibição nos EUA, enquanto o sistema político Espanhol não se convertesse à democracia, fez pela democracia mais do que as guerrilhas republicanas. A ditadura de Franco e Guernica são sempre lembradas e execradas, em todo o mundo.

Nota: Tentando convencer um filho a entrar na política escrevi um decálogo do que seria a ação positiva de um deputado federal eleito pelo Espírito Santo.  Li o programa de quase todos os partidos e não encontrei nenhum que fosse democrático, cujas decisões emanasse do conjunto dos membros.

Ao ingressar em qualquer um deles percebi que colocam um cabresto no filiado. Ele perde a personalidade, a independência, e tem que seguir a orientação partidária ou será expulso. Todos os partidos têm um dono e o seu interesse é próprio, nada democrático. Não há possibilidade de independência.

O texto escrito neste ano eleitoral foi para fortalecer a plataforma política cultural e manter a ética da nossa classe. Se formos filiados, quando elogiamos ou criticamos algum político não lembrarão do artista (pintor, músico, escritor, ator…), mas apenas do rótulo: “Ele está dizendo isto porque é do partido X ou Y.”

O Concílio Vaticano II trouxe os membros do clero de volta para a plataforma religiosa. Quase não existem padres e bispos candidatos nas eleições. A igreja ficou fortalecida, respeitada e ouvida.

O artista e a política

Serviço

Ateliê Galvêas recebe visitas todos os dias, incluindo sábados, domingos e feriados.

(27) 3244 7115

https://www.youtube.com/watch?v=TsjgSC1kik0&t=2s

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Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham