Rádio
Exposição histórica sobre o rádio revive os primórdios do meio de comunicação mais importante do século passado
DON OLEARI MEMÓRIA

ESPECIAL HISTÓRIA DO RÁDIO
DON OLEARI
Imagem destacada | Capa: Caricaturas de Genildo. Agradecemos ao Marcílio Paraíso peleo envio da imagem.
A Casa da Memória de Vila Velha/ES, na Prainha, realiza a exposição “Pelas Ondas do Rádio” nesta terça-feira, 9, em reverência ao Dia Nacional do Rádio, que se comemora todo dia 25 de setembro.
É um mergulho na trajetória de um dos meios de comunicação mais marcantes da história e da cultura de várias gerações.
A mostra apresenta a evolução do rádio e seu impacto na sociedade, explorando vertentes como o telégrafo sem fio e o rádio amadorismo, este último fundamental tanto para o lazer quanto para o apoio em situações de emergência.
Entre os destaques estão exemplares de rádios antigos, a montagem de uma estação de rádio amador, um telégrafo e ainda uma exposição de caricaturas do artista Genildo, retratando os principais radialistas do Espírito Santo da era de ouro do rádio.

Ela também resgata marcos importantes: a primeira transmissão de voz, os avanços tecnológicos que popularizaram o rádio e o papel crucial desse meio na construção da identidade nacional e regional.
A narrativa da exposição começa com Nikola Tesla, inventor da Bobina de Tesla em 1890, que vislumbrou a transmissão de energia pelo ar.
Em seguida, passa por cientistas como Marconi, em 1920, e pelo brasileiro Padre Landell de Moura.
Em 1899, Padre Landell de Moura contribuiu significativamente para a comunicação sem fio.
No Brasil, o marco histórico ocorreu em 1922.
Nessa data, Edgard Roquette Pinto realizou a primeira transmissão de rádio durante a Exposição do Centenário da Independência, a partir do Morro do Corcovado, no Rio de Janeiro.
A exposição também lembra que o Dia Nacional do Rádio, celebrado em 25 de setembro, homenageia o nascimento de Roquette-Pinto, considerado o pai da radiodifusão no Brasil.
No Espírito Santo, a mais antiga emissora é a Rádio Espírito Santo, inaugurada em 1940 como Rádio Clube do Espírito Santo, prefixo PRI-9.
Danilo Souza, renomado profissional, professor de inglês, pesquisador, trabalhou desde jovem durante cinquenta anos na emissora.
Danilo escreveu o livro “Nas ondas do Rádio, o ES em sintonia”, um minucioso documento sobre os 70 anos da RES.
No vídeo, Danilo Souza, narra momentos importantes da RES, que completou 85 anos deste ano.
Luiz Paulo Rangel
O presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha (IHGVV), Luiz Paulo Rangel, patrocinador da exposição, escreveu um depoimento sobre a importância do rádio:

“O rádio é mais do que um meio de comunicação”, disse Rangel:
“É um patrimônio cultural que continua a evoluir e a nos conectar. Convidamos todos a explorarem a exposição, a redescobrirem a magia do rádio e a refletirem sobre seu impacto em nossas vidas. Hoje o rádio moderno, com suas emissoras de notícias como a pioneira Rádio CBN Vitória, dentre outras, desempenha papel fundamental.”
O presidente do IHGVV fala sobre o rádio como “paixão nacional”:
“Entender as razões pelas quais o rádio ainda desperta tanto fascínio em algumas pessoas, a ponto de ser considerado uma ‘paixão nacional’, é algo difícil de explicar”, concluiu Luiz Paulo Rangel.
Depoimento pessoal (Don Oleari)
“Oitenta por cento de notícias”
Aproveito a citação do Luiz Paulo Rangel sobre “emissoras só de notícias” para fazer um registro significativo.
Nós antecipamos a era da Rádio CBN, conforme meu relato a seguir.

No começo do seu governo, o radialista governador Gerson Camata mandou me chamar ao palácio.
Fui recebido por Camata naquela mesinha redonda.
Ele foi muito direto e me disse:
“Oleari, quero que você pegue o departameto de jornalismo da Rádio Espírito Santo pra melhorar aquilo lá”.
Ele não esperou que eu dissesse nada e completou:
“Que tal fazermos o jornalismo da Rádio Espírito Santo com 80% de notícias do Estado?”
Disse que topava, saí de lá e comecei por fazer uma ampla faxina na sala do jornalismo, antes de pensar nos “80%” sugeridos por Camata.
Dei sorte porque no departamento encontrei profissionais excelentes como Vitor Alen Magalhães, João Luis Caser, Walter Silva e Walter Silva Jr, que fazia medicina.
Encontrei também outro grande profissional, o saudoso e inesquecível repórter, Antonio Luis Silva.
Ele era conhecido por todos como Luis Emoção.
Todos me receberam muito bem e eu parti para cumprir a determinação do Governador Camata. Agora, era buscar gente pra trabalhar.
Dei sorte traveiz porque me caiu um ficha preciosa e eu anunciei no curso de Comunicação da Ufes quitava precisando de repórteres.
Choveu assim de candidatos, ó. Todos da primeira turma de Comunicação da Ufes, que tinha outro excelente cara como professor, o jornalista Hésio Pessali.
Fizemos testes de um a um: o teste exigia texto e fala. Depois de alguns dias, conseguimos selecionar os melhores e eu contratei 18 repórteres.
Aí, começou a doidera. Foi fantástico. Cobríamos tudo de manhã, de tarde, de noite, sábados, domingos e feriados.
Os repórteres entravam o dia inteiro de todos os lugares. E tínhamos quatro edições de rádio jornais.
Um, às 7 horas da manhã, de quase uma hora, apresentado pelo excelente Moisés Santos e por Jane Bilich.
Outro, ao meio dia, antes do tele-jornal de TV Gazeta a propósito. O outro, das 18h30m às 19 horas, logo após um noticioso dos esportes.
O último do dia era às 23h30m.
Assim, que fique registrado que a Rádio Espírito Santo antecipou a Rádio CBN, que só surgiria depois, a partir de uma determinação do governador Gerson Camata, que eu cumpri á risca com um timaço de primeira, e até mais um tiquim (Don Oleari).
Serviço
Exposição: “Pelas Ondas do Rádio”
Local: Casa da Memória da Prainha de Vila Velha
Abertura: 9 de setembro, às 19h30m
Visitação: até 2 de novembro
Horários: de terça a domingo e feriados, das 8h30m às 17h30m
Entrada gratuita
Realização: IHGVV – Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha/ES
Apoio: Prefeitura Municipal de Vila Velha/ES
Rádio
Edição, Don Oleari – [email protected] | https://twitter.com/donoleari
Com informações do produtor cultural Manoel Goes Neto
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Instagram do Don Oleari Portal de Notícias
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