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Rubens Pontes: Afonso Cláudio, mais que uma cidade, capítulo na História do ES | O colóquio das águas (O rio e o mal) Afonso Cláudio de Freitas Rosa | 15/7

Afonso Cláudio

Coluna AQUI RUBENS PONTES:

MEUS POEMAS DE SÁBADO

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Rubens Pontes,
jornalista

 

Bem à entrada da Redação do Don Oleari, Portal de Notícias (www.don oleari.com.br), a comunicação alerta o pessoal da Casa:

– Quem copia autor alheio comete plágio. Condenável.

– Quem se vale de mais de um autor exercita pesquisa. Louvável.

Foi assim que o colunista se valeu de historiadores como Maciel de Aguiar, redatores do Congresso em Foco, do site Morro do Moreno – https://www.morrodomoreno.com.br/ – de Walter Aguiar, do professor Francisco Aurélio Ribeiro, entre outros, pesquisadores da Wikipedia, para abordagem do instigante episódio que denominou uma cidade do Espírito Santo de Afonso Cláudio.

 

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primeira capela matriz de são sebatião do alto guandu

O Don Oleari, Portal de Notícias, já se manifestara, com expressiva presença, em nossa coluna da semana passada, na abordagem do micro-historiador José Coco Fontan, sobre destacadas figuras de descendentes de sírio-libaneses que fizeram e fazem a vida da cidade desde quando era pouco mais do que um primitivo povoado indígena do tronco Tupi, conhecido como São Sebastião do Alto Guandu.

Uma pergunta se impõe: por que dar o nome de Afonso Cláudio, personalidade nascida em Mangaraí, no município de Cachoeiro de Santa Leopoldina, ao florescente núcleo distante e sem vínculo com sua terra e sua origem? Com a necessária substituição da denominação até então de São Sebastião do Alto Guandu?

Consta que uma das razões teria sido em virtude da sesmaria de propriedade da família do advogado, poeta, escritor Afonso Cláudio, se estender de Mangaraí – na histórica Santa Leopoldina – e todo o seu entorno até a região onde, mais tarde, seria fundada a vila de São Sebastião do Alto Guandu.

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Antiga Praça Aderbal Galvão

Se coubesse ao Portal justificar, lembraria um pouco da nossa História, inserindo num dos seus mais significativos capítulos a escolha, com a instalação da República Federativa do Brasil em 20 de novembro de 1889, do escritor, poeta, historiador, professor e advogado Afonso Cláudio Freitas Rosa para ser o primeiro governador do Espírito Santo no Brasil republicano.

Chefiou o Governo a partir de 1889, renunciando espontaneamente em 1890, arguindo motivos de ordem pessoal.

Na juventude, Afonso Cláudio realizara seus primeiros estudos no Ateneu Provincial, cursando depois Direito na Faculdade de Recife, de onde se transferiu para a Faculdade de São Paulo. Na efervescente cidade, participou do iniciante e ainda tímido movimento republicano.

Reunia Afonso Cláudio, com sua cultura e sua moderna visão dos nossos problemas, as melhores condições para iniciar o processo democrático no Espírito Santo, numa época em que São Mateus era sua metrópole e Vitória sua província.

Com periférico conhecimento dos problemas que afetavam a economia do Estado, Afonso Cláudio conduzia uma trajetória humanista, forjada na luta contra a escravidão e, como escritor e advogado, no estudo da cultura popular.

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livro insurreição do queimado

O escritor, ex-secretário de Cultura do Espírito Santo, Maciel Aguiar, nos conta textualmente como era vista a política naquele tempo:

– “Nem sempre no Espírito Santo prevaleceu a competência, o despreendimento e a tolerância como condições relevantes para conduzir a coisa pública. Assim (no Governo) feriu susceptibilidades, confrontando-se com as oligarquias e os que dominavam a cena política capixaba.

“Em decorrência” – expressa o ex-secretário – “o governador Afonso Cláudio passou a sofrer ataques sistemáticos de grupos empenhados nas lutas pelo poder, cujos métodos beiravam ao imponderável e o irracional”.

Pressionado pela ameaça de execração moral, cuja prática já era forma de se chegar ao Palácio Anchieta, renunciou ao mandato”.

Justificou seu gesto radical alegando não desejar ser “um tirano com pose de democrata e comandar pelo terror um grupo de puxa sacos”.

“Não gostaria de ter à disposição a Justiça para condenar, a Assembleia para lhe beijar as mãos, a imprensa para atacar os inimigos e a polícia para prender e soltar quem quisesse”.

Retornou ao Rio de Janeiro, onde exerceu advocacia e magistratura.

Não mais voltou ao Espírito Santo.

Morreu no dia 16 de junho de 1934.

PS – O Portal Don Oleari lembra, a propósito, o que disse em 1954 o então governador Jones dos Santos Neves, a propósito da nossa antropofagia cultural e política:

-“O Espírito Santo carece de paz e anseia por uma trégua política que lhe permita retomar os caminhos ensolarados do seu progresso. Não é possível que persistamos, por mais tempo, nessa autofagia cruel, reminiscências primitivas talvez da tribo dos maracajás que habitavam estas plagas e continuemos, como aqueles “gatos selvagens”, a nos estraçalhar uns aos outros”.

O tempo amadurece o comportamento, também na sensível área da política. No plano estadual, crescemos e amaduremos nossos sentimentos democráticos.

O Don Oleari, Portal de Notícias  – www.donoleari.com.br – e o colunista que assina a matéria, manifestam sentimento de orgulho pelas ideias e ações de personalidades como Afonso Cláudio de Freitas Rosa, também grande poeta, membro fundador da Academia Espírito-santense de Letras.

Ele é o autor do poema que ilumina a Coluna:

– O Colóquio das Águas

Título que poderia até ter relação com o fato de possuir o município de Afonso Cláudio a melhor água potável do Brasil. Indicação confirmada em quatro levantamentos realizados em plano nacional.

Rubens Pontes, jornalista

Capim Branco, MG

AFONSO CLÁUDIO, O POETA ATIVISTA

Afonso Cláudio de Freitas Rosa, poeta, historiador, folclorista, ensaísta e político espírito-santense, segundo muitos historiadores o maior intelectual do final do século 19. Republicano e ante escravocrata, o poeta lutou contra a monarquia e a escravidão em nosso país.

Com a Proclamação da República, Afonso Cláudio se tornou o primeiro governador do Estado do Espírito Santo.

 

O colóquio das águas (O rio e o mal)

Afonso Cláudio de Freitas Rosa

— Quão venturoso és tu, ó velho sonhador!

Que nas areias límpidas, silentes,

Os flancos moves e aos largos continentes

Pródigo distribuis a quentura e o frescor!

 

— Engano teu, vilão! Em toda a parte, a dor —

Diz o mar — transborda como tu em túrgidas enchentes;

Se o visco da lesma conspurca e tisna a flor,

Que outra sorte reservas ao resto dos viventes?

 

Por sobre o dorso meu repontam as quilhas;

Em revoadas se abatem sobre as ilhas

Aves que sulcam do espaço as amplidões.

 

E enquanto sobre mim deriva a vasa impura

Das cidades, os crustáceos revolvem a lama escura,

Que a terra expele e em ígneas convulsões!

Afonso Cláudio

Edição, Don Oleari – [email protected]https://twitter.com/donoleari

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Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham

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