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Ano novo para esquecer o velho, que se vai | O Riso, de Maria Antonieta Tatagiba | 30/12

Ano novo

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rubens-pontes-outrra.jpg 14 de outubro de 2023 9 KB
rubens pontes, jornalista

 

Coluna AQUI RUBENS PONTES |

MEUS POEMAS DE SÁBADO

A coluna faz uma reverência ao colega e presidente da Academia Maria Antonieta Tatagiba, Pedro Antonio de Souza, e a todos os confrades da academia e do sítio São Pedro de Itabapoana, carregado de memórias, patrimônio histórico e cultural do Espírito Santo.

“Bendito seja o riso. Como o vinho adormece as nossas dores.”

O ano chega ao fim com poucos motivos para marcar saudades.

Para Don Oleari Portal de Notícias e suas empresas agregadas, é verdade, foi um ano de realizações em inovadoras criações do campo do jornalismo informativo, um conforto profissional e emocional para todos nós.

Somos, porém, levados a nos irmanarmos aos que sofreram os efeitos da violência medieval de conflitos beligerantes que imaginávamos superados desde os catastróficos efeitos das bombas nucleares lançadas sobre cidades japonesas na última guerra mundial.

O Colunista se queda, porém, desiludo, ao se debruçar sobre diálogo de figurantes do livro “Upgrade”, do escritor norte americano Blake Crouch, e percebe não se surpreender.

À personagem da narrativa foi proposta uma equação sobre nossa caminhada que parece sem volta rumo ao fim da vida na Terra.

Qual a maior ameaça à espécie humana?

As respostas foram as mesmas cotidianamente levantadas nos órgãos de comunicação:

–  Aumento do nível dos oceanos

– Desertificação

– Colapso dos ecossistemas

– Níveis perigosos de CO2

– Mudança climática.

O condutor da reunião foi contundente:

Todos vocês estão errados.

A maior ameaça à nossa espécie está dentro de nós.

Fome, doenças, guerra, aquecimento global, essas ameaças se assomam sobre nós como gigantescas nuvens de tempestade.

Mas noventa e nove por cento das pessoas lêem sobre parte do mundo em ruinas nas manchetes matinais e a seguir as ignoram, continuando a rotina dos afazeres de seu cotidiano.

É negacionismo. Egoísmo.  O pensamento mágico. Não somos racionais. Buscamos conforto em vez de uma visão clara da realidade.

Consumimos, nos enfeitamos e nos convencemos de que, se mantivermos a cabeça enterrada na areia, os monstros vão embora.

Nos recusamos a fazer o que precisa ser feito. Cada perigo que encaramos está, em última instância, ligado a essa indiferença.

Einstein premonitório

Theodiano Bastos, escritor radicado no balneário de Manguinhos, em Serra, Espírito Santo, nos faz lembrar em seu ‘Periscópio”, o que Albert Einstein, premonitório, levantou e sentenciou:

“Não sei como será a terceira guerra mundial, mas sei como será a quarta: com pedras e paus”.

Russos e ucranianos, israelitas e muçulmanos, em violência troglodita, com trucidação de populações indefesas, são estimulados por governos e nações poderosos negando dinheiro para comprar alimentos e apoiando a cessão de recursos para compra de armamentos – que eles próprios fabricam.

A quarta guerra prevista por Albert Einstein será, vê-se, mais civilizada.

O lenitivo

As mulheres têm sido ao longo da História Universal o lado sadio da vida. Monarquia ou República, os países por elas liderados, não têm se envolvido em guerras de disputa:

Jamaica, Trinidad e Tobago, República Centro-Africana, Noruega, Escócia, Dinamarca, Croácia, Malta, Coreia do Sul, Bangladesch, Polônia, Lituânia, Letônia, Kosovo, e até há pouco a Inglaterra.

Foi assim, por consenso unânime dos companheiros de redação de Don Oleari Portal de Notícias – ele próprio manifestando incondicional apoio (ainda que não fosse Lena Mara a nossa primeira dama) que a Coluna encerra sua participação nos doze meses do ano de 2023 prestando homenagem a 12 mulheres espírito-santenses simbolizando, cada uma delas, um dos 12 meses que agora abrem espaço para outros 12 que virão.

Doze mulheres que fizeram e continuam escrevendo a história do Espírito Santo

Don Oleari Portal de Notícias abre acesso ao Colunista a registros anotados pelo crítico Vitor Taveira (2021) sobre o tema escolhido para encerrar sua semanal presença neste penoso ano de 2023.

“As mulheres participaram na construção da história do Espírito Santo. O fato de não ouvirmos com frequência seus nomes, não lermos seus livros, não lembrarmos das suas lutas, mostra o quanto ainda estamos muito submetidos a um conhecimento androcêntrico. Mas não significa que suas existências sucumbiram na passividade, na conformação”, analisa a historiadora Lívia Rangel.

Ela é a idealizadora do projeto “Diálogos no tempo: histórias de mulheres capixabas”, que entrelaça uma conversa com seis mulheres do presente com outras seis que fazem parte, como protagonistas, da história do Espírito Santo.

Enquanto isso, o Instagram do projeto divulgou de antemão um pouco da trajetória dessas mulheres, de quem se pode saber um pouco mais na Coluna.

Seis mulheres históricas

pedido de voto
judith leão castelo

Nascida no município da Serra, em agosto de 1898, Judith Leão Castello Ribeiro foi a primeira mulher eleita deputada estadual no Espírito Santo. Participou das campanhas pelo sufrágio feminino, sendo uma das fundadoras da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF) no ES, organização liderada por Bertha Lutz e que contava com filiais em várias regiões.

Apesar de defender os direitos das mulheres ao voto e seu acesso ao trabalho, acreditava que a mulher tinha um papel tradicional a cumprir na família. De formação religiosa católica, para Judith Leão, a família era o pilar da moral na sociedade.

Normalista pelo tradicional Colégio do Carmo, foi professora no Ginásio São Vicente de Paulo e na também Escola Normal “Pedro II”, na cadeira de Ciências Pedagógicas.

Dedicou-se à escrita e à divulgação da cultura. Colaborava periodicamente na imprensa, escrevendo artigos para jornais e revistas, como a “Vida Capichaba” e o “Diário da Manhã”.

Fundou ao lado de outras personalidades a Academia Feminina Espírito-Santense de Letras, sendo sua primeira presidente.

Antes de falecer, aos 83 anos de idade, em março de 1982, Judith Castello publicou seu primeiro livro, “Presença”, obra que reúne crônicas e textos autobiográficos da autora.

Lídia Besouchet

Intelectual de destaque do seu tempo, Lídia Besouchet foi escritora, historiadora e ensaísta.

Nasceu em Porto Alegre, em 23 de maio de 1908, porém migrou por várias cidades com sua família antes de fixar residência no Espírito Santo, onde passou a maior parte de sua juventude e onde começou a publicar seus primeiros textos.

Terminou os estudos na Escola Normal “Pedro II” e nos anos seguintes participou de projetos vinculados à Pedagogia da Escola Nova, um movimento de renovação no ensino que pretendia integrar teoria e prática.

Lídia Besouchet foi militante filiada do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e participou ativamente da mobilização da Aliança Nacional Libertadora (ANL), ampla frente de oposição a Getúlio Vargas. Após seu companheiro, jornalista capixaba Newton Freitas, ser libertado ao fim de treze meses como preso político, o casal se uniu e deixou o país, que entrava na ditadura do Estado Novo.

Como exilados, viveram por 12 anos na Argentina. Mais da metade dos livros escritos por Lídia Besouchet foi publicada em espanhol. Fase produtiva em que também trabalhou como tradutora e mediadora cultural, aproximando a literatura argentina e brasileira.

Publicou romances, ensaios e livros históricos. Colaborou com os principais veículos da imprensa de Buenos Aires. Com a ascensão de Perón, e alinhados com o antiperonismo, Lídia e Newton organizaram sua saída da Argentina. Viveram em muitos outros países entre 1950 e 1980, como Bélgica, México, Argélia e Espanha. Lídia faleceu no ano de 1997, na cidade do Rio de Janeiro, antes de completar 89 anos de idade.

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hayde nicolussi

Haydée Nicolussi 

Haydée Nicolussi passou para a história como uma revolucionária romântica. Nascida em 14 de dezembro de 1905 em Alfredo Chaves, filha de pais imigrantes. De família abastada, cresceu entre as montanhas do ES e a cidade de Vila Velha

Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde cursou História da Arte no Museu Histórico Nacional, o que a levou mais tarde à Sorbonne, em Paris, tornando-se a primeira capixaba a se graduar na área.

Em 1929, teve um conto seu premiado pela revista O Cruzeiro, nacionalmente famosa, o que lhe deu fôlego para continuar investindo na carreira de escritora.

Na mesma época em que despontava no mundo das letras, começou a se aproximar da militância política, ingressando na luta revolucionária. Engajada cada vez mais no movimento de esquerda e alinhada ao pensamento marxista, o teor das suas publicações também sofreu uma guinada ideológica, inclusive começou a escrever um romance proletário do qual restou apenas fragmentos, a que deu o título “Os desambientados.”

Sofreu perseguição política do governo e por duas vezes foi detida., em 1932, na cidade de São Paulo, e a segunda em 1935, quando passou cinco meses como prisioneira nas dependências da Casa de Detenção na rua Frei Caneca, no Rio de Janeiro.

Com a saúde precária, Haydée deixou a cela da repressão getulista, em 1936, abatida física e emocionalmente.

Artista multifacetada, poeta, escritora, tradutora, museóloga, pintora, após a dramática experiência política, Haydée Nicolussi voltou a se dedicar à literatura.

Em 1943, publicou seu livro de poesia Festa na Sombra. Escreveu também contos, crônicas, ensaios e críticas literárias que continuam, em sua maior parte, inéditos. Haydée Nicolussi faleceu em 1970.

Maria Stella de Novaes 

MARIA_STELLA_DE_NOVAES_1548192416848141SK1548192417B.jpgMaria Stella de Novaes foi uma das professoras e pesquisadoras mais respeitadas e reconhecidas do Espírito Santo. Publicou ao longo de sua carreira quase cem livros, a maioria estudos científicos na área de botânica, pedagogia, história, folclore e algumas obras literárias. Nascida em 13 de agosto de 1894, no seio de uma família tradicional, mesmo dedicada às ciências e às investigações empíricas sempre se manteve alinhada à moral do catolicismo.

Formou-se no Colégio do Carmo e cursou História Natural, no Rio de Janeiro, com o professor Cândido Mello Leitão. Primeira catedrática do ensino secundário no Espírito Santo, lecionou desenho, álgebra, caligrafia e ciências naturais na Escola Normal Pedro II e no Ginásio do Espírito Santo.

Naturalista, historiadora, cronista, teatróloga, folclorista, orquidófila, aquarelista, em muitas dessas atividades foi precursora e alcançou relevante protagonismo.

Fez parte do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, e uma das fundadoras da Academia Feminina Espírito-Santense de Letras, em 1949.

Em mais de uma vez levou sua mensagem feminista como representante da filial capixaba da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF) em Congressos Nacionais com pautas dedicadas às discussões sobre os direitos das mulheres.

Feminista de postura moderada, defendeu espaço para a mulher na vida pública, questionando os papeis tradicionais atribuídos ao sexo feminino. Na luta pela emancipação feminina argumentou a favor da equidade de oportunidade entre homens e mulheres – na educação, no trabalho, na política, nas letras e nas mais diversas funções sociais. Viveu uma vida de estudos, não casou e não teve filhos.

Foi professora, mentora e incentivadora de muitos capixabas notáveis, entre eles o ecologista e naturalista Augusto Ruschi. Faleceu aos 87 anos, lúcida e lançando livros.

Carmélia Maria de Souza

mulheres pioneiras
carmélia

A literatura capixaba possui nomes de grande destaque no gênero crônica, entre eles Rubem Braga e Amylton de Almeida. O que poucos sabem é que houve uma mulher de igual talento em meio a tantos escritores homens. Carmélia Maria de Souza foi a “cronista do povo”, como definia seu próprio trabalho, e fez da crônica cotidiana a linguagem da sua poesia e da sua ironia.

Nascida no município de Rio Novo do Sul, em 1936, Carmélia viveu o auge da sua carreira nos anos 1950 e 1960. Passou pelo chamado Anos Dourados e experimentou na mesma intensidade os Anos Rebeldes

Escritora negra, mulher lésbica, autodidata, sem papas na língua, contestatória, tornou-se referência do jornalismo capixaba, reconhecida pelo estilo irreverente e crítico. De personalidade boêmia, amante da vida noturna, dos bares, dos amigos e das conversas literárias, marcou com seu estilo uma época.

Foi colunista e colaboradora dos principais jornais e revistas do Espírito Santo, O Diário, A Tribuna, Vida Capixaba, A Gazeta e O Jornal da Cidade. Foi também funcionária pública federal e trabalhou em importantes instituições culturais do Estado, como o Museu de Arte Histórica de Vitória e a Biblioteca da FAFI.

Um incêndio na década de 1980 queimou boa parte dos seus escritos.

Sua morte precoce, antes de completar 38 anos, em 13 de fevereiro de 1974, deixou um vazio na vida cultural capixaba. Sua única obra publicada saiu postumamente, dois anos após o seu falecimento. Intitulado “Vento Sul”, o livro reúne crônicas, reportagens, testemunhos de amigos e condensa um pouco do que foi a vida e os temas caros à escritora.

Após sua morte, foi intitulada Patrona da Academia Feminina Espírito-Santense de Letras e um Centro Cultural foi fundado, no bairro Santo Antônio, com seu nome

Maria Veronica da Pas

Referência para muitas mulheres negras do Espírito Santo, Maria Veronica da Pas foi médica psiquiatra, militante feminista, articuladora do movimento negro capixaba, professora da Ufes, artista, defensora dos direitos humanos e pioneira em várias frentes de atuação.

Nascida em Minas Gerais, foi a primeira de onze irmãos a cursar o ensino superior. Formou-se em medicina na Emescam e desde então passou a atuar na área da saúde da mulher. uniu-se a outras companheiras e fundou, na década de 1980, o movimento de mulheres negras no Espírito Santo

Em 1988, coordenou eventos na Universidade por ocasião do centenário da Lei Áurea. As reflexões produzidas neste momento geraram um engajamento ainda maior de Veronica da Pas, saindo daí a ideia para a criação de um Museu que funcionasse como centro de referência da memória, da ancestralidade, das manifestações artísticas e da participação dos povos negros na construção da sociedade capixaba.

Maria Veronica da Pas foi nomeada a primeira coordenadora do Museu Capixaba do Negro (Mucane), instalado oficialmente em 1993.

Seu afastamento do cargo ocorreu em 1996, sua morte aconteceria poucos meses depois.

Seis mulheres do presente

Camila Valadão

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camila valadão

Formada em Política Social pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Feminista, negra, mãe e militante do Partido Socialismo e Liberdade (Psol).

Atuou no movimento estudantil da Ufes, foi presidente do Conselho Regional de Serviço Social (Cress) e integrante do Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH).

Desde o início da sua militância tem se dedicado à luta em defesa das mulheres, da negritude, da juventude e dos direitos humanos.

No ano de 2014 foi a candidata mais jovem ao cargo de governadora no Brasil.

Em 2016, foi a quinta candidata a vereadora mais votada em Vitória. Quatro anos depois, foi reeleita como a segunda vereadora mais votada na Capital, com 5.626 votos feministas, antirracistas, antifascistas e anti LGBTfóbicos.

Pedagoga, sambista, praticante de axé e militante em defesa do povo negro.

Kika Carvalho 

Kika Carvalho nasceu em 1992 Graduada em Artes Visuais pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), é artista visual, educadora e desde 2009, quando iniciou no grafite, atua no movimento hip hop da cidade.

Foi a primeira mulher do ES a alcançar destaque nacional na área. Rosana Paulino, em palestra no Museu de arte de São Paulo (Masp), a citou como uma das referências entre as artistas negras brasileiras da contemporaneidade. Em 2020, realizou residência artística no Instituto Goethe em Salvador, Bahia.

Além dos muros e murais da cidade, sua produção artística inclui desenhos, pinturas, gravuras, esculturas, instalações e vídeos.

Um de seus quadros foi utilizado no livro “Enciclopédia Negra” de Flávio Gomes, Jaime Lauriano e Lilia Schwarcz, lançado pela editora Companhia das Letras.

Um de seus quadros virou peça de vestimenta da marca À La Garçonne, de Alexandre Herchcovitch.

 Bernadette Lyra 

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Bernadette

Uma das escritoras prolíficas do Espírito Santo. É autora de mais de 15 livros, com participação em antologias nacionais e internacionais.

Seus livros – romances, novelas, contos – costumam trazer como protagonistas personagens femininas com forte inspiração em mulheres históricas e contemporâneas capixaba, rendendo indicações a importantes Prêmios. Foi finalista do Prêmio Jabuti, em 1997, com o livro “Memórias das ruínas de Creta” (há uma 2ª ed., de 2018), e chegou aos semifinalistas do Prêmio Oceanos com o romance “Ulpiana”, lançado em 2019.

Nascida na cidade de Conceição da Barra, em 1938, Bernadette Lyra formou-se em Letras e alçou voos. Viveu muitos anos na cidade de São Paulo e passou temporadas em outros países. Na capital paulista foi professora titular de mestrado da Universidade Anhembi-Morumbi e professora colaboradora da Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP), onde também realizou seu doutorado em Cinema. Foi professora visitante da Universidade de Algarve, em Portugal, e na França atuou na Sorbonne como pós-doutorado.

Sua trajetória como professora universitária é tão notável quanto sua carreira de escritora. Uma de suas valiosas contribuições como pesquisadora audiovisual foi a elaboração do conceito de “Cinema de Bordas”, associado ao circuito de produção de filmes periféricos voltados para o imaginário popular e a participação de comunidades.

Em 2020 foi homenageada pela Prefeitura de Vitória com a Comenda Maurício de Oliveira por seu trabalho de engajamento no movimento cultural do Espírito Santo. É membro da Academia Espírito-Santense de Letras.

Deborah Sabará 

Deborah Sabará nasceu no bairro Santa Marta, em Vitória, no ano de 1979.

Mulher trans, é uma das expoentes capixabas do movimento LGBTQIA.

Ocupou posições de direção e coordenação em comissões, secretarias e associações dedicadas aos Direitos Humanos e à causa das pessoas trans no Espírito Santo.

Mãe de um jovem de 20 anos, divide seu tempo entre a maternidade, o ativismo cultural e a militância em movimentos sociais.

Por seis anos foi diretora-presidenta da Associação GOLD, que desenvolve projetos sociais junto à comunidade LGBTQIA+ e luta pela visibilidade trans. Hoje atua na instituição como coordenadora de projetos. É coordenadora do Papo Reto, projeto sobre infecções sexualmente transmissíveis, e do Cine Club, que promove diálogos sobre raça, gênero e violência contra a mulher por meio do cinema dentro das unidades socioeducativas. Foi também presidenta do Conselho de Direitos Humanos

Seus planos futuros envolvem a construção de uma casa de acolhimento a pessoas LGBTQIA+ e ações sobre tolerância religiosa e formação de mulheres ativistas.

Deborah foi a primeira pessoa trans do Espírito Santo a usar o nome social em uma prova do Enem. Foi também a primeira mulher transexual do Estado a participar de uma festa tradicional usando a roupa de acordo com a sua identidade de gênero

Em 2019, tornou-se a primeira travesti porta-bandeira em uma Escola de Samba

Ethel Maciel 

 ethel_maciel-1.jpg 5 de janeiro de 2023 38 KBEthel Maciel é natural de Baixo Guandu, no centro-oeste do Espírito Santo, e uma das mulheres cientistas de destaque no cenário nacional.

Sua atuação no enfrentamento à Covid-19 no Brasil tem sido das mais assertivas, principalmente em defesa da ciência e do acesso amplo da população à informação confiável e embasada. O compromisso com a divulgação científica tem sido uma constante na sua carreira acadêmica.

Graduada no curso de enfermagem pela Ufes, apaixonou-se pela pesquisa e seguiu se especializando na área de epidemiologia. Realizou o doutorado pela Uerj e na universidade referência mundial nos estudos epidemiológicos, na Johns Hopkins University (EUA), concluiu o pós-doutorado. Professora Titular do Departamento de Enfermagem e Coordenadora do Laboratório de Epidemiologia da Ufes, é também presidente da Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose e é consultora da Organização Mundial da Saúde (OMS). Desponta igualmente em seu currículo sua participação na gestão universitária como vice-reitora. Apesar de no último pleito ter sido eleita para o cargo de Reitora, foi preterida pela nomeação presidencial.

Ethel é mãe de três filhos e uma defensora aguerrida da educação de qualidade.

Uma característica que pode ser desconhecida para a maioria em relação à personalidade pública da ex-vice-reitora é sua paixão pelo balé. A dança clássica foi sua primeira profissão. Aos 17 anos dava aulas de balé na sua cidade natal.

Outro ponto forte em seu trabalho dentro e fora da universidade envolve a causa das mulheres na ciência.

Sonia Rodrigues 

sonia-rodrigues-1.jpg 24 de junho de 2023 6 KB
sonia rodrigues

Sonia Rodrigues é bacharel e licenciada em Psicologia pela Associação Vitoriana de Ensino Superior (Favi), bacharel em Serviço Social pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e psicanalista em formação permanente do Grupo de Estudos de Vitória.

Integrou a Comissão de Discussão e Implantação do “Grupo de Estudos sobre as Relações Raciais – Referências Técnicas para a atuação de psicólogas (os)”, do Conselho Regional de Psicologia – CRP/16ª região.

É membro do Grupo de Pesquisa “Ocupa Psicanálise: Pesquisa-ação para Clínica Psicanalista Antirracista”, do Departamentos de Psicologia (UFMG-UFES-UFRJ).

É Coordenadora da Articulação Nacional de Psicólogos e Pesquisadores Negros do Espírito Santo (ANPSINEP-ES) e uma das idealizadoras do Raiz Forte – Espaço de Criação, fundado em 2016.

Atualmente, em parceria com o Artista Plástico Thiago Balbino, coordena as atividades do Espaço Cultural Cas    a da Barra em Conceição da Barra (2020 Século Diário).

 academia-maria-antonieta-tatagiba.jpg 30 de dezembro de 2023 23 KB

O poema que fecha a Coluna teria que ter, necessariamente, a assinatura de uma mulher para deixar sabor de m el a esta última e amarga publicação de 2023. O Riso, de Maria Antonieta Tatagiba.

Rubens Pontes, jornalista

Capim Branco, MG

Revisão: Márcia M.D.Barbosa

O riso

Maria Antonieta Tatagiba

Bendito seja o riso que os negrores

Da vida ao infeliz faz olvidar,

Como o vinho, adormece as nossas dores,

A quem sofre, é conforto singular.

Disfarça o sentimento sob flores

Padeces? Trazes, na alma, algum pesar?

Ri que o riso adormece as nossas dores

E nele, um lenitivo hás de encontrar…

Riso é ironia – riso é esquecimento.

Aos tristes dá o aspecto da ventura

E faz supor distante o sofrimento…

Riso – invencível arma de mulher

Que, rindo, docemente, com ternura,

Seduz o mundo inteiro, quando quer!

(Maria Antonieta Tatagiba foi a primeira mulher a publicar um livro de poesias no Estado, “Frauta Agreste”, em 1927, um ano antes de morrer de tuberculose).

Ano novo

Edição, Don Oleari – [email protected]

https://www.facebook.com/oswaldo.oleariouoleare

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Radialista, Jornalista, Publicitário.
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