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Kleber Frizzera | Duas praias e meia

Duas praias

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kleber frizzera, arquiteto

Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade (Carlos Drummond de Andrade).

Kleber Frizzera

Ir à praia, sozinho, em dupla, em família ou em grupo, sentar-se na areia, vigiar as crianças, se oferecer, o corpo desnudo, ao sol, aos sons, ao tempo e ao vento, ao céu e à água, um programa de domingo.

Na praia dos namorados, ambulantes, picolé, milho, água e cerveja, circulam seus carrinhos que afundam na areia fofa, se chocam no curto estirâncio, limitado pela maré alta, que aproxima corpos, toalhas, barracas e cadeiras.

No calçadão, passantes disputam espaço com bicicletas, trailers, barracas, reboques, de todos os tipos, que oferecem prazeres refrescantes, saborosos churrascos, bugigangas mis, alimentam diversas falas, músicas, conversas extensas.

Todos estão dispostos, disputam uma felicidade passageira, buscam um prazer provisório, de domingo, enquanto outros buscam somar algum dinheiro para completar a renda e a sobrevivência familiar.

Os sucessivos aterros enterraram as praias de Santa Helena, do barracão, comprida e do canto, sobreviventes apenas na memória de fotos e histórias, de casos contados de antigos frequentadores, semelhantes moradores do Novo Arrabalde.

Novas praias se instalaram sobre as antigas, da jurema, da guarderia, dos namorados, se desenrolando desde a ilha do boi até o iate clube e seus brancos barcos.

Cada uma com um tipo de banhistas, de rendas e gostos diferentes, opostos, seus modos e gestos corporais distintos, cada um tentando compensar os trabalhos e esforços da semana, fracassos ou pequenos ganhos, compensar a alienação do espírito e do corpo.

Em sequência, são contínuos e recortados os trechos de areia e grama, acompanhados pela linha de edifícios, janelas e varandas vigilantes, olham o horizonte.

A curva da Jurema, depois da última reforma, alijou ambulantes e usuários populares, hoje, toda ocupada, seus decorados quiosques e uma cercada faixa de areia, por extratos médios, acomodados em seguros e segregados lugares.

A praia da guarderia, acomodada para atender os esporte aquáticos, viu proliferar as canoas havaianas, campos de beach tênis e ancora pequenos barcos, uma meia praia, onde poucos, casais ou solitários, procuram se manter `a distância, de olho nos celulares ou absortos na linha ondulante das pequenas ondas.

E no final, no canto, a praia dos namorados abriga os deslocados da Jurema, e passou a acumular, nas suas estreitas faixas de areia e calçada, um outro mundo, diverso, ruidoso, aproxima jovens e velhos, pais e filhos, atravessadas por bicicletas, interrompida por bares improvisados, músicas e vozes que recortam, refratam a intensa luz que vaza das árvores e sombrinhas de praia, aquece corações, inocula nos corpos uma felicidade sem motivo ou decisão.

Um ritual, ir à praia, que se repete em cada fim de semana do verão, quando o calor intenso anuncia as previstas mudanças climáticas, o aquecimento global aquece a cidade litorânea, e o suor invade os estreitos apartamentos e casas.

Seremos felizes com estas margens de vida, domingo na praia?

A distância entre a retórica política da cidade, que é cruel, e a ternura e alegria do povo é enorme.

Caleen Smith

Kleber Frizzera

2024

(*) Kleber Frizzera | Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (1971).

Mestrado em Arquitetura pela Ufes (Universidade Federal do ES) em 1998.

Foi secretário municipal de Desenvolvimento da Prefeitura de Vitória/ES (2006/2012). Professor adjunto da Universidade Federal do Espírito Santo ( 1978/2015) – https://www.ufes.br/.

Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo, atuando principalmente em projetos de arquitetura, arquitetura teoria e crítica, arquitetura áreas centrais, planejamento territorial e renovação urbana.

Duas praias

Edição, Don Oleari – [email protected] | https://twitter.com/donoleari

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Resumo

Seremos felizes com estas margens de vida, domingo na praia?

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Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham

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