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Eustáquio Palhares | A inércia do paradigma | 29/1

paradigma-no-tipo-de-madeira-100679910.jpg 31 de janeiro de 2024 36 KB

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eustaquio-palhares-1-1-1-263x300-1.jpg 9 de junho de 2023
eustáquio palhares, jornalista

Artigo |

 

Cada época instaura novos valores e revoga outros, salvo alguns pétreos, fundamentais fincados na ética e no senso moral que ou são inatos ou são providencialmente inculcados por padrões e referências desses tipos.

Atravessam eras, épocas e idades e se mantêm como senso de orientação e avaliação das pessoas consolidando-se como hábito ou cultura. Outros prevalecem pela inércia das tradições, aqui entendendo inércia no sentido estrito que a física lhe confere: o de estado de repouso de um corpo em movimento.

No final do século passado cresceu a percepção da prevalência de paradigmas, os padrões mantidos por força de habito e tradição que, confrontado com novas realidades, perdiam a razão de ser. As causas que os originaram não mais existem, mas eles perduram como referências, perenizando-se no movimento de moto contínuo.

Perceber o paradigma e conferir a permanência de suas causas passou a ser um saudável exercício que tanto validava uma prática como a revogava, constatada a sua inércia. Por que prevalecer não existindo mais as causas que a moldaram? Um modo prosaico de verificar a inconsistência de um paradigma é questionar o fundamento de um conceito, critério ou prática e obter-se como resposta um “ah, isso sempre foi assim”, ou um outro igualmente indiferente “ah, isso é assim mesmo”. Nesse aspecto em particular a corrupção política é um padrão irremovível na razão direta da passividade do eleitor.

Com o advento da Internet, algo tão disruptivo quanto o fogo, a roda e a imprensa o foram em suas respectivas épocas, a sociedade ainda experimenta a prevalência de paradigmas que não resistem ao exame de suas lógicas, de suas efetivas validades.

A democracia representativa é um desses paradigmas. Com todos os recursos tecnológicos ensejando uma hiperconetividade, ainda nos pautamos pela escolha de alguém para escolher por nós. Quando o mobile já se constitui no “controle remoto da vida”, concentrando funções inimagináveis – além de equipamentos que na configuração original seriam inviáveis de serem portados – ainda reproduzimos práticas cujas circunstâncias que as determinaram não mais existem.

Quando uma pessoa interage com outra localizada do outro lado do mundo em tempo real, vendo-a, ou acessa uma informação através de um link que despeja na tela do seu aparelho informações que ocupariam uma biblioteca, soa esquizofrênico a manutenção de alguns hábitos. O espaço não permite examinar o esgotamento da democracia representativa instaurada nas ágoras gregas na sua segunda configuração.

A primeira foi a participativa, inviabilizada pelo crescimento da urbe e de sua população. A saída foi engenhosa, a escolha de alguém que representasse um grupo alinhado pelas mesmas opiniões por ser fisicamente inviável acolher todas as manifestações individuais da assembleia da ágora.

Mas desde lá, então, ecoar a opinião do grupo foi menos frequente que a tendência dos representantes prezarem mais seus interesses dos que os dos representados. Questione-se: o que impede objetivamente ou tecnologicamente que um cidadão exerça seu papel de eleitor a partir do seu mobile?

As suas finanças hoje já são administradas a partir do seu universal smartphone e estamos falando de algo tão valioso quanto virtualíssimo, o dinheiro, uma convenção que ainda vai confrontar as noções de preço x valor.

As criptomoedas, uma criação genial, ainda não vingaram ao sul do Equador pelo que representam de disruptivas e desestabilizadoras do controle monetário pelos estados nacionais. Embora certos padrões possam ser sabotados, manipulados ou  bloqueados, como que cedendo a uma “lei da gravidade”, a realidade culmina por impô-los.

Claro que uma democracia participativa certamente vai requerer instâncias de mediação e controle confiáveis, como o STE não se mostrou quando o eleitorado brasileiro, majoritariamente, manifestou sua suspeita sobre a votação eletrônica. Não se confunda a arma com o crime. O termômetro não pode ser culpado pela febre, tanto quanto a cama não é cúmplice do adultério.

eustaquio-marca-assinatura-1.pngEustáquio Palhares, jornalista, multimídia

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Don Oleari - Editor Chefão

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Radialista, Jornalista, Publicitário.
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