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Rubens Pontes | Poesia: linguagem universal para exprimir emoções | A Lágrima, de Guerra Junqueiro | 19/8

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Poesia

AQUI RUBENS PONTES

MEUS POEMAS DE SÁBADO

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Rubens Pontes,
jornalista

 

A linguagem grega diz “poiéo”, que significa fazer criar ou compor, definindo poesia como gênero textual e literário com a finalidade de expressar sentimentos, emoções e pensamentos.

Nos valemos de script de Luana Castro Alves Perez para concordar que os poemas abordam temas líricos, épicos e narrativos.

Paralelamente, o linguista russo Roman Jakobson nos diz que a poesia tem como principal característica a emissão de uma mensagem elaborada de maneira inovadora, encontrada predominantemente na linguagem literária, sobretudo na poesia.

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walt whitman

Essas divagações levantadas por um companheiro na redação do Don Oleari, Portal de Notícias – www.donoleari.com.br –  serviu como “mote” para a formulação da Coluna deste sábado.

Assim, não mais que de repente, Don Oleari, o Editor Chefão, causou suspense entre o grupo de trabalho do Portal e as opiniões emitidas não obtiveram a unanimidade esperada sobre a relação dos maiores poetas universais relacionados por críticos literários para isso evocados.

Alguns deles apontaram Walt Whitman, Dante Alighieri, Homero, Luís de Camões, Pablo Neruda, Emily Dickson e o nosso Carlos Drummond de Andrade.

Outro grupo de críticos substituiu nomes da relação elegendo William Shakespeare, Fernando Pessoa, Waltt Whitman, Charles Baudelaire, Homero, Camões e, olalá, mantendo Carlos Drummond de Andrade, único brasileiro incluído nas duas relações.

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Uma escolha unânime impossível, em qualquer levantamento que se fizer no mundo da poesia.

Também os nomes escolhidos como os maiores poetas brasileiros não obtiveram plena aprovação do pessoal da Casa, embora todos eles se imponham reconhecidamente como expoentes da cultura da poesia nacional:

Carlos Drummond de Andrade, Cora Coralina, Vinicius de Morais, Adélia Prado, João Cabral de Melo Neto, Cecília Meireles, Manoel de Barros (foto) e Manoel Bandeira.

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Museu Guerra Junqueiro, no Porto, Portugal

Houve unanimidade na inclusão do espírito-santense do nosso tempo Matusalém Matos de Moura e do “príncipe dos poetas capixabas”, Elmo Elton.

E no plano nacional poetas como Olavo Bilac, Castro Alves, Guilherme de Almeida, Olegário Mariano. Do Espírito Santo, alguns experts indicaram como destaque no cenário da arte poética:

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– Caê Guimarães, Elisa Lucinda, Geir Campos, Marly de Oliveira, Miguel Marvilla, Narciso Araújo, Newton Braga, Rômulo Marinho, Viviane Mosé, Maria Antonieta Tatagiba e Waldo Motta.

Nenhuma restrição, quem somos nós? Mas na relação do pessoal do Portal deram por incluídos outros nomes que se impõem em qualquer levantamento do gênero.

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Os leitores da Coluna certamente guardam na memória, principalmente no coração, nomes de poetas capixabas e de outros rincões, membros de uma elite que subiria ao “podium” dos grandes laureados, poetas que necessariamente deveriam compor a relação de nomes marcados pela imortalidade.

O Don Oleari, Portal de Notícias, e o Colunista, com pequenas exceções, que, naturalmente não invalidam as relações assinaladas, lembram nomes que marcaram algum momento da vida de cada um, tornando então impossível no plano da poesia o registro de apenas 10 nomes, de 20, de 30…….

Das nossas plagas, a poesia de “A Mocidade”, de Elmo Elton; de Portugal, de onde nossos poetas maiores herdaram a língua e as emoções da raça, o Colunista recebeu aplausos do Poderoso Chefão Don Oleari ao lembrar Florbela Espanca, Júlio Dantas e seu imortal “Ceia dos Cardeais”.

Por fim, aplausos gerais também para Guerra Junqueiro (“O Melro”), autor do poema “A Lágrima”, com o qual a Coluna se fecha por nada ter mais a dizer depois da obra prima, a seguir.

Rubens Pontes, jornalista

Capim Branco, MG

A Lágrima

Guerra Junqueiro

(março de 1888)

Manhã de Junho ardente. Uma encosta escavada,

Seca, deserta e nua, à beira d’uma estrada.

Terra ingrata, onde a urze a custo desabrocha,

Bebendo o sol, comendo o pó, mordendo a rocha.

 

Sobre uma folha hostil duma figueira brava,

Mendiga que se nutre a pedregulho e lava,

A aurora desprendeu, compassiva e divina,

Uma lágrima etérea, enorme e cristalina.

Lágrima tão ideal, tão límpida, que ao vê-la,

De perto era um diamante e de longe uma estrela.

 

Passa um rei com o seu cortejo de espavento,

Elmos, lanças, clarins, trinta pendões ao vento.

– “No meu diadema, disse o rei, quedando a olhar,

Há safiras sem conta e brilhantes sem par,

“Há rubis orientais, sangrentos e doirados,

Como beijos d’amor, a arder, cristalizados.

“Há pérolas que são gotas de magoa imensa,

Que a lua chora e verte, e o mar gela e condensa.

“Pois, brilhantes, rubis e pérolas de Ofir,

Tudo isso eu dou, e vem, ó lágrima, fulgir

“Nesta c’roa orgulhosa, olímpica, suprema,

Vendo o Globo a teus pés do alto do teu diadema!”

E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,

Ouviu, sorriu, tremeu, e quedou silenciosa.

***

Couraçado de ferro, épico e deslumbrante,

Passa no seu ginete um cavaleiro andante.

E o cavaleiro diz à lágrima irisada:

“Vem brilhar, por Jesus, na cruz da minha espada!

“Far-te-ei relampejar, de vitória em vitória,

Na Terra Santa, à luz da Fé, ao sol da Glória!

“E à volta há de guardar-te a minha noiva, ó astro,

Em seu colo auro real de rosa e de alabastro.

“E assim alumiarás com teu vivo esplendor

Mil combates de heróis e mil sonhos d’amor!”

E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,

Ouviu, sorriu, tremeu e quedou silenciosa.

***

Montado numa mula escura, de caminho,

Passa um velho judeu, avarento e mesquinho.

Mulas de carga atrás levavam-lhe o tesoiro:

Grandes arcas de cedro, abarrotadas d’oiro.

E o velhinho andrajoso e magro como um junco,

O crânio calvo, o olhar febril, o bico adunco,

Vendo a estrela, exclamou: “Oh Deus, que maravilha!

Como ela resplandece, e tremeluz, e brilha!

“Com meu oiro em montão podiam-se comprar

Os impérios dos reis e os navios do mar,

“E por esse diamante esplêndido trocara

Todo o meu oiro imenso a minha mão avara!”

E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,

Ouviu, sorriu, tremeu, e quedou silenciosa.

***

Debaixo da figueira, então, um cardo agreste,

Já ressequido, disse à lágrima celeste:

“A terra onde o lilás e a balsamina medra

Para mim teve sempre um coração de pedra.

“Se a queixar-me, ergo ao céu os braços por acaso,

O céu manda-me em paga o fogo em que me abraso.

“Nunca junto de mim, ulcerado de espinhos,

Ouvi trinar, gorjear a música dos ninhos.

“Nunca junto de mim ranchos de namoradas

Debandaram, cantando, em noites estreladas…

“Voa a ave no azul e passa longe o amor,

Porque ai! Nunca dei sombra e nunca tive flor!…

“Ó lágrima de Deus, ó astro, ó gota d’água,

Cai na desolação desta infinita mágoa!”

E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,

Tremeu, tremeu, tremeu… e caiu silenciosa!…

***

E algum tempo depois o triste cardo exangue,

Reverdecendo, dava uma flor cor de sangue,

Dum roxo macerado, e dorido, e desfeito,

Como as chagas que tem Nosso Senhor no peito…

E ao cálix virginal da pobre flor vermelha

Ia buscar, zumbindo, o mel doirado a abelha!…

Poesia 

Foto de capa: Guerra Junqueiro na sua casa transformada em museu no Porto, em Portugal.

Edição, Don Oleari – [email protected]

https://www.facebook.com/oswaldo.oleariouoleare

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Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham

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