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Brasileirão: exportação, prestígio e fonte de renda aos clubes do Brasil | 1/5

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Por Eugenio Goussinsky

Com a globalização do esporte no mundo Campeonato nacional passa a ser um dos nossos produtos fortes no exterior

A globalização é um fenômeno que, nas últimas décadas, transformou as relações entre os países. Ampliou o alcance da comunicação, os investimentos, o comércio e o intercâmbio cultural. Na prática, extinguiu fronteiras em vários aspectos. Para o futebol brasileiro, porém, tantas novidades trouxeram, nesse mesmo período, mais prejuízos do que benefícios.

O País se tornou um exportador de talentos e seus clubes perderam competitividade diante dos endinheirados europeus.

Demorou mais de uma década, castigada por derrotas acachapantes em finais de Mundial de Clubes e pelas eliminações do Brasil em Copas, para que, em busca de novas receitas, o futebol brasileiro começasse a utilizar a globalização a seu favor, com a ideia de uma Liga a ser gerida pelos clubes e criando condições para valorizar o próprio produto para além do seu território.

A busca se dá muito em função das verbas vindas da TV, inclusive com as transmissões do Campeonato Brasileiro das Séries A e B para fora do Brasil. Realidade que ocorre desde meados de 2020 e que se encaixa neste momento em que os clubes buscam ampliar as receitas da principal competição de futebol do País.

Campeonato Brasileiro amadureceu como um produto de exportação nos últimos anos com a globalização da marca e a presença de profissionais internacionais no país Foto: REUTERS/Amanda Perobelli

“O primeiro benefício das transmissões para o exterior é o financeiro. Abrem-se novos mercados, os direitos de transmissão para fora podem representar futuramente o mesmo valor negociado em transmissões internas. Isso ainda não ocorre, está longe, mas é assim já com outras grandes Ligas que foram se consolidando e nas quais hoje os direitos de transmissão para fora são tão rentáveis quanto internamente”, diz o presidente do Grêmio, Alberto Guerra.

Para ele, a maior visibilidade no cenário mundial será fundamental para a internacionalização da marca dos clubes do Brasil. “É importante que cada vez mais os clubes atentem para outros mercados e se tornem também clubes de nível mundial. Como hoje temos nossos filhos que usam camisas de times estrangeiros, que possam lá fora os filhos deles usarem camisas de clubes brasileiros também”, diz.

Além disso, a negociação de jogadores será valorizada, segundo o presidente gremista. “O maior patrimônio dos clubes, além da marca e da torcida, são os jogadores. A maior exposição será uma forma mais fácil de se chegar àqueles que contratam, decidem, que veem os grandes jogos, inteiros e não vídeos reduzidos ou imagens selecionadas por empresários. Isso encurta os caminhos, proporciona maiores receitas em negociações. Há vários benefícios”, completa Guerra.

PROBLEMAS DE ORGANIZAÇÃO

Para o dirigente gremista, apesar do aumento de receitas, é importante também que os próprios clubes brasileiros organizem suas gestões para não gastarem mais do que arrecadam, algo que ainda acontece com a maioria das equipes.

Alguns, como o próprio Grêmio, Palmeiras, Flamengo e Cruzeiro, o primeiro considerado grande a se tornar uma SAF (Sociedade Anônima do Futebol), já estão nesse caminho do saneamento financeiro. Para Guerra, é importante que o campeonato como um todo seja composto de vinte clubes rentáveis.

“Não tenho dúvida de que a organização faz com que tenhamos melhores equipes, melhores clubes, que fazem ter melhores campeonatos, que fazem ter melhor produto a ser vendido e fortalece como um todo o futebol do País. Não basta ganhar mais e depois gastar ainda mais”, ressalta o dirigente do time gaúcho.

Nestes últimos dois anos e meio, as transmissões passaram a alcançar 163 países, em TV aberta, fechada, PPV (pay per view) e streaming, abrangendo um público de mais de 650 milhões de pessoas ao redor do mundo, com transmissões em pelo menos 13 idiomas. Os clubes também negociaram os direitos de transmissão por meio da plataforma Brasileirão Play, que tem assinantes em mais de 90 países.

Desde a conquista da Copa do Mundo de 2002 pelo Brasil, na questão técnica, com a globalização, a identidade do drible, as técnicas do passe e o estilo criativo brasileiro se difundiram pelo planeta. Deixaram de ser o segredo que fazia os clubes do País e a seleção pentacampeã surpreenderem e encantarem os seis continentes.

Em paralelo, na questão financeira, a própria capacidade brasileira em revelar talentos ficou desprotegida diante do poderio econômico de grandes clubes europeus, que passaram a fazer propostas tentadoras para contratar jogadores jovens que mal atuaram no Brasil. Tudo isso, é claro, facilitado pela falta de organização e má gestão da maioria das agremiações no País.

ALCANCE MUNDIAL

Segundo Leandro Caetano, country manager da 1190, empresa que gerencia e comercializa os direitos do Brasileiro para o exterior, as transmissões das partidas ajudam o futebol nacional a voltar a se incluir na principal prateleira do mercado.

“Todas as grandes ligas têm alcance global. O Campeonato Brasileiro é um dos cinco mais importantes do mundo, um produto de grande qualidade audiovisual, com estádios modernos e jogadores conhecidos mundialmente. Estamos no início de um processo que, sem dúvida, vai ampliar ainda mais o conhecimento sobre o futebol brasileiro no exterior”, comenta Caetano.

 

Abel Ferreira é um dos símbolos da intercionalização do Brasileirão nos últimos anos  Foto: REUTERS/Amanda Perobelli

 

Ainda mais, conforme ele ressalta, neste momento em que os clubes já negociam a formação de uma Liga Nacional. Atualmente, as receitas vindas das transmissões dos jogos, entre TV aberta, TV por assinatura, pay per view e streaming giram em torno de R$ 2 bilhões por ano.

Em geral, 40% são divididos de forma igualitária, 30% são pagos de acordo com o número de jogos transmitidos e outros 30% são pagos em função da performance. Com a implantação de uma Liga, os clubes do Brasileirão iriam receber até cerca de R$ 4,8 bilhões anuais de um investidor, por 20% da competição, em cinco anos, diminuindo de seis vezes para 3,48 vezes a diferença entre o clube que mais e o que menos recebe.

“Consideramos a implantação da Liga um fato importante, porque traz um equilíbrio entre as necessidades individuais e coletivas dos clubes, inclusive protegendo interesses futuros, como, por exemplo, ter jogos para diversos fusos horários ou explorar atletas específicos, atendendo a demandas de diferentes mercados”, diz o executivo da empresa, cujo nome remete a dois números básicos do futebol: os 11 jogadores e os 90 minutos de jogo.

As partidas são transmitidas em português, espanhol, inglês, hebraico, mandarim, francês, alemão, italiano, grego, russo, japonês, árabe, ucraniano e bósnio. Dentre os países que recebem as transmissões estão os que mantêm as ligas mais fortes do mundo, como Inglaterra, Espanha, França, Itália e Alemanha.

Nos anos 80, sem a globalização, apaixonados pelo futebol brasileiro nascidos em outros países sabiam a escalação da seleção brasileira e de grandes times que fizeram história.

Durante o período de baixa, que já dura mais de duas décadas, o futebol brasileiro ficou escondido atrás dos muros da América do Sul. Longe e refém da globalização. Com a transmissão dos jogos do Brasileirão para fora do território, a ideia é reconquistar a admiração, ganhar mais dinheiro e, consequentemente, reencontrar a antiga força. Em uma nova era.

“Para nós, o interesse pelo Brasileirão lá fora só tende a crescer nos próximos anos”, completa Leandro Caetano.

Com Estadão:

https://www.estadao.com.br/

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https://twitter.com/donoleari

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Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
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