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Rodrigo Mello Rego: As Certinhas do Oleari + Poesia Erótica | Manoel Maria du Bocage, Soneto do caralho potente | 30/4

Mello Rego

As Certinhas do Oleari +

Poesia erótica – coluna –

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rodrigo mello rego

 

– Senhor Editor Chefão:

Manuel Maria de Barbosa l’Hedois foi muito mais do que du Bocage.

Mas foi com esse sobrenome que o maior poeta português do Século XVIII se projetou para a eternidade com sua poesia fescenina apontada, ainda neste cínico Século XXI, como eminentemente pornográfica.

É como se assim fosse rotulada, só como exemplo para não alongar muito, a obra poética de Carlos Drummond de Andrade, de Cora Coralina, do cronista e poeta gaúcho Luís Fernando Veríssimo.

Prostituta

Ainda na semana que passou, a bordo do ônibus que me transportava de Nova Viçosa/Ba para Vila Velha/ES, reli sempre com a mesma paixão o poema “Prostituta”, da doceira de Goiás Velho, Cora Coralina:

“Mulher da vida, minha irmã

de todos os tempos,

de todos os povos

de todas as latitudes”

Mello RegoDrummond fez editar, post-mortem, uma obra com seus poemas eróticos que em nada denegriu sua memória como um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos.

Luis Fernando Veríssimo, o herdeiro luminoso de Érico Veríssimo, poetou escrevendo:

“Fazer amor é lindo, é encantador, é esplêndido.

Mas dar é bom pra cacete

Melhor que dar, só dar por dar,

Dar sem querer casar (Ler in “Dar é dar”).

Gozar

Quero ouvir uma crítica, aqui ou além-mar, de alguém com a cara na janela, a um poema de Fernando Pessoa cujo primeiro verso canta:

“Dia em que não gozaste não foi teu”.

Bocage foi muito mais do que aponta sua rotulagem como poeta pornográfico, embora os titulos em sonetos – entre muitas centenas escritos desde Setúbal, onde nasceu em 1765, até sua morte, em setembro de 1805 – possam (premeditadamente?) transmitir essa impressão:

– “Soneto do caralho potente”, “Soneto do Prazer Efhémero”, “Soneto do Pau Decifrado”, “Soneto da Cópula Esculpida”…

Mesmo sendo mais sutil, nosso Bandeira se projetava em “Passárgada”, onde teria mulher sonhada na cama que escolheria…

Insisto na dúvida sobre o que é erótico e sobre o que é pornográfico.

Alguém neste Brasil varonil taxaria o romântico Álvares de Azevedo – poeta dos saraus nas casas senhoriais das fazendas brasileiras – de poeta erótico?

nelson-rodrigues-l-1-e1682864742795.jpgEle versejou, dizendo:

”Dei um último olhar àquela forma nua e adormecida

com a febre nas faces e a lascívia nos lábios…”

Nelson Rodrigues

Para não me alongar muito sobre um tema, no entanto, para mim apaixonante, vamos meditar sobre o que escreveu o nosso Nélson Rodrigues, foto:

– “Só o rosto é indecente. Do pescoço para baixo podia-se andar nu.”

Com as saudações de Rodrigo Mello Rego, um clássico de Manoel Maria du Bocage, na grafia do seu tempo.

SONETO DO CARALHO POTENTE

Porripotente heroe, que uma cadeira

Sustens na poncta do caralho teso

Pondo-lhe em riba mais por contrapeso

A cappa de baetão da alcoviteira:

 

Teu casso é como o ramo da palmeira

Que mais se eleva, quando tem mais peso;

Si o não conservas açaimado e preso

É capaz de foder Lisboa inteira!

 

Que forças tens no horrido marsapo

Que assentado a dysforme cachamorra

Deixa connos e cus num trapo!

 

Quem ao ver-te o tesão ha não discorra

Que tu não podes ser sinão Priapo

Ou que tens um guindaste em ver de porra?

 

Rodrigo Mello Rego, jornalista, pesquisador de literatura erótica. Mestrado em Estudos Literários. Não mostra a face “pra salvar a cara e o emprego”, diz.

“Piotaco” de Don Oleari

Perguntei ao meu consultor para assuntos literários e afins, jornalista Rubens Pontes (*), o que achava da proposta de Rodrigo Mello Rego para esta coluna, em virtude do título do poema de Bocage. Ele respondeu telegraficamente:

– “Do caralho”.

Ora, ora, Pontes validou a postagem, acrescentando outro “Falo” ao título do poema. Mas, passado o susto de ter que pesquisar imagens para complementar a edição da coluna, decidi dar o meu “piotaco” e responder à pergunta de Mello Rego sobre erótico e pornográfico.

(*) Aqui Rubens Pontes: Meus poemas de sábado aqui memo no Portal Don Oleari.

Quedo-me a “José” ou “E Agora, José?”, de Carlos Drummond de Andrade. No mundo imaginário de José fustigado por sucessivas ondas de não mais, de acabou, sempre complementei o poema de Drummond com um sonoro “e agora, José, phodeu tudo”.

Já era. Minas não há mais, aterroriza o poeta. Ora, José – sempre imaginei eu ao ler ou ouvir o poema – se Minas não hã mais, aí que phodeu de vez, José.

E, em definitivo, sempre complementei o meu complemento, vociferando: “sendo assim, José, phoda-se o mundo quieu não me chamo Raimundo” (Don Oleari).

Mello Rego

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https://twitter.com/donoleari

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Publicado em 18/ago/2017

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Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham

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